quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

TEXTO PARA ESTUDO - LEITURA E INTERCÂMBIO ENTRE LEITORES


Leitura e intercâmbio entre leitores


Incluem-se aqui várias situações de exploração, leitura e intercâmbio de leitores na escola e entre as famílias. O propósito é gerar encontros pessoais e compartilhados com uma diversidade de textos literários e informativos. A partir dessas situações, os alunos têm oportunidade para desenvolver diferentes práticas de leitor, por exemplo, decidir o que ler e com quem, solicitar os materiais referindo-se a eles de maneira cada vez mais precisa, compartilhar os efeitos que uma obra produz, recomendar textos lidos a outros leitores, especializar-se na obra de um autor.


Exploração, escolha de obras e intercâmbio com pares e adultos
Propiciar diferentes momentos de encontro com os livros dá oportunidade para que os alunos atuem como leitores. As crianças selecionam livros que desejam ler atendendo a diversos critérios – por exemplo, seguir a obra de um autor, ler sobre um tema de interesse, preferir uma coleção ou série por suas ilustrações – e comentam essa experiência com seus colegas.
O professor pode organizar uma mesa de livros dispondo uma quantidade de materiais mais ou menos equivalente ao número de alunos presentes. Informa dados de algumas obras oferecidas, tais como autor, título, editora, coleção; propicia a leitura individual e logo em duplas a fim de que tenham a oportunidade de compartilhar com outros as obras lidas e enriquecer suas interpretações; organiza intercâmbios coletivos para que os alunos comentem suas experiências com os livros.


Leitura de um conto e abertura de um espaço de intercâmbio
Ler uma obra e abrir um espaço de intercâmbio com o grupo possibilita a entrada no mundo criado pelos textos e o intercâmbio de impactos e reflexões com outros leitores. O propósito didático é formar os alunos como leitores de literatura, colocando em jogo práticas que favorecem a construção de sentidos cada vez mais elaborados e a produção de opiniões cada vez mais fundamentadas acerca das obras. O professor lê em voz alta e todos comentam o efeito que a obra produziu, fazem perguntas e observações que permitem voltar a ler fragmentos para reiterar as interpretações, solicitam a releitura de partes para reviver cenas ou simplesmente para apreciar ou deleitar-se com a maneira como estão escritas.
Entre as condições didáticas que favorecem o desenvolvimento desta situação podem-se mencionar: a geração de um clima propício para a leitura do conto em voz alta, a disposição das crianças para a escuta, a leitura do conto completo sem pular parágrafos ou substituir palavras e a possibilidade – tanto das crianças quanto do professor – de pôr em uso as práticas acima mencionadas.


Leitura de textos informativos
Além de materiais literários, o professor pode ler e comentar com as crianças textos informativos, tais como artigos de divulgação científica ou notas de enciclopédia com o propósito de saber mais sobre um tema.
Em alguns momentos, seleciona textos “difíceis” no sentido de que colocam desafios para seus alunos; textos que oferecem oportunidades de discutir seu significado ao confrontar interpretações ao reler alguns dos fragmentos. São textos que costumam requerer alguns conhecimentos sobre o tema que tratam e desenvolver certas estratégias de leitura como, por exemplo, estabelecer relações entre as diversas partes do texto e considerar pistas linguísticas que funcionam como ponto de apoio para elaborar hipóteses.
Para começar, o professor realiza uma leitura global enquanto mostra as ilustrações.
Também pode realizar uma leitura detendo-se em algumas passagens para dar explicações, fazer comentários ou exemplificar apontando outros dados, voltar atrás na leitura para recuperar uma expressão que serve para compreender melhor o texto, favorecer que as crianças façam perguntas e formulem respostas. Mostra-se como um leitor experiente que adapta a maneira de ler ao texto, aos propósitos que guiam a leitura e à audiência.
Finalizada a leitura, o professor escolhe um ou vários temas para discutir a respeito do texto. Durante o intercâmbio, apresenta dados sobre o tema, ajuda a estabelecer relações entre o que as crianças já sabem e os novos conteúdos que o texto traz, favorece que descubram as marcas que emprega o autor (tempos verbais, sinais de pontuação, conectivos) para que o leitor reconstrua as idéias do texto, amplia as informações por meio da consulta de outras fontes.


Produção de recomendações
O intercâmbio entre leitores vai além das portas da sala de aula. Com esse objetivo, tanto na escola como na pré-escola se habilitam espaços formais para comentários e recomendações bibliográficas.
Estes intercâmbios entre colegas se realizam de forma escrita e oral. Os professores podem destinar um determinado tempo do dia para que seus grupos se encontrem e conversem a respeito dos livros que conhecem. Ao mesmo tempo em que estes encontros acontecem é importante planificar situações específicas para que as crianças produzam recomendações
escritas, seja ditando-as ao adulto ou por si mesmas. Para poder escrevê-las é necessário que relembrem a obra selecionada e releiam alguns fragmentos que consideram particularmente interessantes, seja pela forma como foram escritos, pelas imagens que suscitam, porque há um interesse em citá-los ou porque apresentam alguma dúvida. Estas recomendações publicam-se na escola para que todos possam consultá-las – por exemplo, em cartazes de propaganda, no jornal ou no mural – e/ou circulam fora do âmbito escolar.Circulação de sacolas viajantes
O intercâmbio entre leitores passa também pelo ambiente familiar. Trata-se de estimular espaços compartilhados de leitura, convidando as famílias a participar da circulação de alguns materiais da biblioteca.
As sacolas viajantes podem conter materiais de leitura variados destinados a crianças e material específico para adultos (contos, romances, textos informativos, poesias, histórias em quadrinhos, etc.). Incluem um caderno para que os alunos possam escrever sobre a experiência compartilhada e as famílias registrar comentários a respeito das leituras e sugestões de outros materiais a serem incluídos.

* págs. 17 - 22 do livro "A Leitura na Alfabetização Inicial, Situações Didáticas no Jardim e na Escola", de Mirta Castedo e Claudia Molinari, Dirección General de Cultura Y Educación, Província de Buenos Aires.

** fonte: Projeto Entorno, Fundação Victor Civita e PMSP (disponível também em: http://www.fvc.org.br/pdf/projeto-entorno.pdf)

PARA REFLETIR...


“Poder ler e ser um leitor não são exatamente o mesmo. A habilidade de ler
para fins práticos, por muito importante que seja, difere da leitura que encanta aos que
são leitores, a que os torna habituados a ler. Esta leitura é chamada com certo desdém,
mas com razão, de recreativa. Os leitores sabem que se re-criam quando leem; não só
porque se familiarizam com novos fatos e idéias, mas, mais em particular, porque
descobrem que os textos escritos criam novos mundos, realidades diferentes das que
eles habitam. Os leitores experientes sabem que a vida se prolonga na literatura...”
(Margaret Meek, En Torno a la Cultura Escrita, p. 6)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

BRINCAR NO TANQUE DE AREIA...


TANQUE DE AREIA
Cuidados que asseguram uma recreação saudável
Por Rosali Figueiredo

Os tanques ou caixas de areia figuram como componentes indispensáveis nas escolas, principalmente nas de Educação Infantil, por desempenharem um importante papel no desenvolvimento psicomotor e emocional das crianças. Na Escola Bola de Neve, criada há mais de 40 anos no Jardim Paulistano, em São Paulo, o tanque de areia serve como espaço de socialização para os menores que ingressam no ambiente escolar, e de recreação junto às crianças que atingem uma autonomia um pouco maior, entre 3 e 5 anos. “Ele oferece múltiplas possibilidades”, afirma a pedagoga e diretora Theodora Maria Mendes de Almeida, autora, entre outros, do recémlançado livro “Bebê e Babá, muito além de cuidar” (Grupo Editorial Scortecci).

Segundo a educadora, o contato com a areia é “o momento mais encantador para a criança, pois dá prazer a elas”. Assim, o espaço acaba sendo utilizado no momento de adaptação na escola, pois facilita o contato com os educadores e os colegas. Já entre os maiores, serve como ambiente de relaxamento, de invenção de novas brincadeiras ou até de compenetração. Conforme observa Miguel Sinkunas, diretor de Químicos e Dosadores da Abralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional), ao desempenhar esses papéis, a areia se torna um item de difícil substituição, “visto a natural atratividade que exerce sobre as crianças”.

Nesse sentido, cabe às escolas cuidar bem do espaço. Na Bola de Neve, realiza-se diariamente o peneiramento de folhas e objetos estranhos ao local, remexendo-se nos grãos de forma a evitar que acumulem umidade. Todas as noites a areia é coberta. A diretora recomenda a troca do material pelo menos a cada dois anos, além do uso da areia colorida, que atrai mais as crianças e afasta animais como os gatos. São procedimentos que coincidem, por exemplo, com as recomendações de higienização e manutenção feitas pela Abralimp.

Segundo Miguel Sinkunas, eventuais perigos relacionados às caixas de areia têm origem na umidade, granulometria (grãos muito finos podem ser aspirados) e contaminação. “A caixa segura é aquela que contém areia seca, de tamanho selecionado e livre de materiais estranhos”, evitando a “proliferação de parasitas, bactérias e fungos”. Na verdade, os cuidados começam na construção do tanque. A diretora do Bola de Neve recomenda a escolha de uma área externa que tome bastante sol, afastando riscos com a umidade. Já Miguel Sinkunas destaca a necessidade de se utilizar materiais impermeáveis e se possível um sistema de drenagem, em local distante de terras, gramas e folhas. Sugere ainda lavar bem a caixa antes do seu preenchimento, “com aplicação final de bactericida à base de quaternário de amônia ou Clorexidina”, deixando “secar naturalmente e evitando luz solar”. O diretor da Abralimp propõe preenchê-la com uma areia “com granulometria mais grossa”, além de protegê-la quando não estiver sendo utilizada, com uma “cobertura impermeável resistente e de fácil colocação, que deverá lacrar perfeitamente a caixa”.

Miguel deixa ainda algumas dicas de manutenção, como impedir o acesso ao tanque de crianças sem fraldas, comidas e bebidas, bem como o seu uso em dias chuvosos; limpá-la diariamente com um rastelo fino; revolvê-la periodicamente, passando a areia do fundo para cima, “preferencialmente sob luz solar – isto ajudará a mantêla seca e mais fofa, evitando machucaduras”; e, finalmente, programar uma troca periódica do material. A ocasião deverá ser aproveitada, acrescenta, para a lavagem da caixa, conforme os procedimentos descritos acima. (R.F.)
Matéria publicada na Edição 56 de março de 2010 da Revista Direcional Escolas.

DICA LITERÁRIA

O SAPO BOCARRÃO
Cia. das Letrinhas

SINOPSE:
O sapo Bocarrão é um divertido animal que tem uma boca enorme, é muito guloso e vive perguntando aos outros bichos o que eles gostam de comer. Gordão, verdíssimo, de olhos arregalados, ele pula de página em página comendo moscas e jogando conversa fora até o momento em que encontra o terrível crocodilo com seus dentes brancos pontudos - e aí tem que tomar uma atitude radical. De produção esmerada, este livro tem dobraduras-surpresa em todas as páginas, brincadeiras gráficas e cores vibrantes, bem como letras graúdas para facilitar a leitura das crianças recém-alfabetizadas.


** DICA **

Neste blog aqui: http://naraluciaguedes.blogspot.com/2009/11/o-sapo-bocarrao-eu-sou-o-sapo-bocarrao.html tem dicas de como confeccionar o livro "O sapo bocarrão" com dobraduras e neste blog aqui: http://oficinadapalavrarj.blogspot.com/2008/08/vamos-criar.html mostra como confeccionar um "sapão" com dobradura. Muito bom!!!

PROJETO - ENCARTE INFORMATIVO: COMO VIVEM OS FILHOTES?

Objetivos:
- Buscar, selecionar e ler informações (tanto quando o professor lê em voz alta, quanto quando as crianças lêem por si mesmas)
- Registrar e comunicar o que se entendeu (em quadros, esquemas, desenhos ou pequenos textos)
- Organizar os novos conhecimentos em um encarte informativo
- Estabelecer relações entre os diferentes animais pesquisados (semelhanças e diferenças)
- Saber mais sobre o período que vai do nascimento até a vida adulta de animais mamíferos de diferentes lugares do mundo

Conteúdos:
- Leitura como fonte de informação
- Procedimentos de pesquisa: trabalho em grupo, seleção e organização de informações, registro de conclusões
- Expansão dos conhecimentos iniciais das crianças acerca de uma fase importante do ciclo de vida dos animais: a sua vida enquanto filhotes


Ano: CEI (de 0 a 3 anos de idade), Educação Infantil (de 4 a 6 anos de idade) e Ensino Fundamental (1º e 2º anos)

Tempo estimado: de 2 a 3 meses de trabalho

Material necessário: livros sobre animais, enciclopédias, revistas que tratem do tema e, quando possível, vídeos e DVDs sobre o assunto


Desenvolvimento:

Primeira etapa: apresentação do projeto
Selecione algum material interessante sobre filhotes, pode ser uma imagem de uma família de macacos ou um texto informativo sobre como as leoas cuidam de seus bebês, por exemplo. Explore o assunto com as crianças: como vivem os filhotes de mamíferos, como são cuidados pelos pais e como aprendem a sobreviver no seu habitat natural. Após levantar os conhecimentos prévios que elas têm sobre o assunto, registre em um cartaz: “O que já sabemos sobre os filhotes”. Faça questionamentos que os ajudem a identificar quais animais se interessam em estudar, como: “como será que as mães desses animais cuidam dos filhotes?”, “o que será que elas trazem para eles comerem?”, “será que eles – os filhotes – já sabem se defender de outros animais?”, “até que idade eles vivem com seus pais?”, “será que eles demoram a andar como os bebês humanos?” etc. Liste os filhotes de animais que serão estudados pela turma (uma sugestão é um animal para cada quatro crianças), o que a turma quer saber sobre eles, num cartaz: “O que queremos saber sobre os filhotes”.
Depois dessa primeira conversa, compartilhe que irão elaborar um encarte informativo, produzido por toda a turma, sobre os filhotes que eles estudarem, levantando com eles alguns possíveis destinatários: biblioteca da escola, outra turma, outra escola ou instituição etc.


Segunda etapa: o professor lê textos informativos para seus alunos
Selecione algum material que aborde informações de interesse das crianças, por exemplo, como nascem os leões. Explore as imagens, o título e os subtítulos para atrair a atenção das crianças. Leia o material enfatizando com a voz as informações relevantes para a pesquisa. Após a leitura, converse com as crianças sobre o texto lido e pergunta a elas o que é importante anotar, para quando forem escrever o encarte. Por exemplo, se as crianças estiverem investigando como nascem os filhotes selecionados pelo grupo e o material esclareceu que o leão é um mamífero e nasce da barriga da fêmea, registrem no cartaz esta informação.
* Esta é uma etapa fundamental do trabalho e deve se repetir no decorrer da pesquisa e sempre que restarem questões fundamentais do estudo a serem respondidas.


Terceira etapa: a turma assiste a documentários informativos sobre os filhotes
Se o documentário mostra, por exemplo, as leoas amamentando seus filhotes, antes de mostrá-lo às crianças, retome as dúvidas levantadas por elas e antecipe que o documentário poderá esclarecê-la. Depois do vídeo, proponha que comentem sobre o que mais lhes chamou a atenção e quais informações pertinentes ao estudo foram apresentadas pelo documentário. Com a colaboração da turma, registrem o que considerarem importante para a pesquisa.


Quarta etapa: os alunos leem textos informativos
Entregue para cada dupla ou trio um livro sobre determinado animal que a sala está estudando e diga que tipo de informação eles vão encontrar ali, por exemplo, “Nesse livro está escrito como a leão ensina seus filhotes a caçar” e peça que eles procurem a informação e registrem o que aprenderam. Circule entre as crianças, fazendo intervenções que ajudem nessa tarefa (por exemplo: “Como podemos encontrar leão no índice?”, “As fotos ajudam?”, “Como saber onde está escrito sobre como os pequenos leões aprendem a caçar... que pistas podemos ter de que o texto está falando desse assunto?”. Quando as crianças localizarem as informações necessárias, conversem sobre o que descobriram e registrem o que acham importante.


Quinta etapa: escrita coletiva de texto informativo
Você atuará como escriba das crianças, registrando o texto elaborado por elas. Com a retomada das anotações coletivas, a turma planeja, junto com o professor, como podem escrever um texto sobre o que aprenderam sobre os filhotes (o que deve vir primeiro, e depois... fazendo um esquema do que será escrito). Feito isso, a classe dita ao professor o texto, verificando, ao longo de sua elaboração, se está de acordo com o planejamento que fizeram e revisando no final.


Sexta etapa: edição do livro
Nesta etapa, as crianças, com seu apoio, fazem a organização final do encarte informativo. Definem onde irão posicionar cada informação e se ela irá acompanhada de imagens colhidas durante a pesquisa e/ou ilustrações realizadas pelas crianças.


Fontes de pesquisa indicadas:
“Animais simpáticos, comportamentos estranhos” – ABCPRESS
“O mundo fascinante dos animais” – Ed Girassol (com os seguintes volumes: Felinos, Macacos, Animais marinhos)
“100 animais ameaçados de extinção no Brasil” – Ediouro 146
“Atlas Animais do Mundo” – Ed Girassol
“Enciclopédia de curiosidades sobre os animais” – Ed Girassol
“Animais da Amazônia” – Sueli Furlan e Sylvia Sonksen – Horizonte Geográfico
“Meu primeiro Larousse dos animais”
“Meu primeiro Larousse de Ciências”
* Vídeo sobre leões marinhos:
http://www.discoverybrasil.com/_interactive/videos/8/index.shtml

* fonte: Projeto Entorno, Fundação Victor Civita e PMSP, 2010 (também disponível em:
http://www.fvc.org.br/pdf/projeto-entorno.pdf )

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

TEXTO PARA ESTUDO - LITERATURA PARA BEBÊS

Literatura para Bebês
Ana Araújo e Silva


Acreditamos que o bebê desenvolve um processo de leitura quando se interessa pelos brinquedos, pelo livro, pela música, pela dança e por tudo aquilo que se oferece para o seu desenvolvimento. Além disso, gosta de ouvir histórias de animais, crianças, natureza; diverte-se,bate palmas, sente medo, imita as personagens; fantasia entrando e saindo da história. Com esse trabalho, o bebê vai aumentando o seu conhecimento de mundo, aprendendo a gostar de literatura e a ler para além de seu espaço de referência ou espaço imediato para aderir ao mundo mágico dos textos.
As atividades com práticas de leitura devem estar presentes diariamente na vida do bebê para que ele desenvolva o gosto pela leitura e, mais tarde, faça uso de textos verbais com autonomia. A preocupação com o desenvolvimento da leitura de códigos sonoros, visuais, táteis, gustativos, olfativos e do código verbal, oral e escrito deve ser de todos aqueles que lidam direta ou indiretamente com os bebês. Pais, educadores e instituições devem estar atentos a esse direito dos bebês e das crianças.
Colocando-se a camisa do “timão” no berço do bebê quando ele nasce, mas não colocando também um livro, a intenção de aprendizagem/desenvolvimento ficará incompleta, falha. Com certeza, o bebê gostará do time, da camisa, porém não terá nenhum conhecimento nem interesse por livros e leitura. Bons livros poderão ser presentes e grandes fontes de prazer e conhecimento.
Descobrir esses sentimentos desde bebezinho poderá ser uma excelente conquista para toda a vida.
A instituição de educação infantil que não incluir livros nas caixas de brinquedos e nas estantes de sala de aula, bem como a audição de histórias, parlendas, poesias e leituras de imagens nas brincadeiras aplicadas ao bebê não proporcionará a ele o conhecimento dos livros e o prazer da leitura. Toda a pessoa, não importa em que fase da vida encontrem-se, necessitam da leitura para a aquisição de conhecimentos, recreação, informação, comunicação ou qualquer outra interação que requeira a leitura. O livro e a prática de leitura fazem parte da vida do bebê. Ele constrói conhecimentos quando interage com esse objeto de saber e com a mediação de quem domina a leitura.


Estruturação metodológica

O professor e/ou educador ou o supervisor necessitam de uma organização metodológica como roteiro para a aplicação do trabalho de literatura e de leitura junto aos bebês. Para facilitar a implantação, organizamos o desenvolvimento do trabalho nas seguintes etapas:

Concepção: É essencial para a formação do bebê ouvir diversas histórias, leituras, poesias, músicas, parlendas e manusear livros. Este é o princípio para ser um leitor – e ser um leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descobertas e compreensão do mundo.
Objetivos específicos e conteúdos para desenvolver as capacidades de: ouvir leituras de histórias, contos, parlendas, poesias, versos, músicas; ler imagens (figuras); manusear livros e
outros materiais literários.
Encaminhamento metodológico: Leia para o bebê ouvir; ele vai gostar. Acredite, não é cedo para começar. No início do trabalho, irá fixar o olhar na imagem do livro, mas logo tentará agarra-lo e pôr na boca. Ao pôr o objeto na boca, o bebê realiza uma leitura gustativa e tátil; ao cheira-lo, está realizando uma leitura olfativa; ao ouvir a sua voz, está realizando a leitura auditiva. Aprenderá a gostar de ficar no colo, bem juntinho a você, olhando as cores, s figuras, as cenas, ou seja, lendo as imagens do livro. Se o bebê maior já estiver acostumado com os livros, poderá entreter-se sozinho, por algum tempo, olhando as figuras, virando ou tentando virar as páginas, tal como fazem os educadores, os supervisores, os pais, as mães e os irmãos.
Quando o bebê olha ou aponta as figuras, ele está lendo essas imagens. Esta é a leitura visual ou de imagem. O bebê que já anda poderá pegar um livro na estante e escolher um cantinho na sala, sentar-se no chão, esticar as pernas, abrir o livro sobre elas e encantar-se com as maravilhas saltitantes do texto visual e tátil.
Quando o bebê manuseia o livro, está percebendo se é liso, fofo ou áspero. Esta é uma leitura tátil. Você encontrará, naturalmente, algumas páginas rasgadas; não fique brava. Comece com livros de pano, com álbuns, revistas e livros com capas e folhas duras, resistentes, plastificadas. O seu próprio exemplo de manuseio cuidadoso é a melhor maneira de ensinar o bebê a lidar com os livros. Não encha a biblioteca, a estante da sala de aula ou a caixa com livros que o bebê não possa pegar. Deixe somente os livros que ele possa pegar, olhar, pôr na boca, brincar e ouvir as histórias lidas, contadas ou criadas por você.
As bibliotecas podem ter uma porção de livros lindos para as crianças e os bebês. É divertido entrar em uma biblioteca. Leve-os lá. Os pais, principalmente têm que levar os bebês em bibliotecas, assim como os levam aos campos de futebol. Eles irão adorar. Invente histórias; não é preciso ter sempre um livro. Os bebês maiores adoram ouvir contar histórias sobre papai, mamãe, avós, irmãos ou lendas e histórias de fadas, animais, crianças, objetos do seu cotidiano. Dê atenção às histórias que o bebê maior tenta contar, mostre entusiasmo e curiosidade ao ouvi-lo, faça perguntas que estimulem a linguagem e a criatividade. Gostar de histórias, poesias, músicas, parlendas e de ler é um hábito que deve ser estimulado desde cedo (3 meses de idade). As ilustrações dos livros – de preferência grandes, bem legíveis, coloridas e de fácil identificação – prendem a atenção e fixam o bebê no enredo.
Prepare bem a sua aula. Leia antes, várias vezes, a história, o conto, a poesia, cante a música, etc. Providencie com antecedência todos os materiais necessários. Prepare-se emocionalmente, sinta o prazer e satisfação com essa atividade. Trabalhe a literatura e a leitura para os bebês, como a contação de histórias, leituras, poesias, parlendas, músicas e outros conteúdos, no mínimo duas vezes na semana, ou sempre que eles demonstrarem interesse, no período da manha e/ou da tarde. Coloque os bebês que já sentam em semicírculo, sente-se em frente a eles e bem próximo, para favorecer a visibilidade e o interesse pelo que está sendo realizado. Alguns bebês ficarão atentos e irão divertir-se com a sua história batendo palmas, rindo, beijando o livro, apontando para as personagens, tentando pega-las, emitindo sons, imitando-as.
Outros se dispersarão e ainda haverá aqueles cujo interesse é somente o de tocar no livro. Não fique assustada com essas atitudes dos bebês, pois elas fazem parte do seu modo de ver, agir e
relacionar-se no meio em que vivem, já que ainda não compreendem regras e normas sociais. O
importante é despertar o gosto pela literatura, pela leitura e pelo livro; pelo belo, pelo imaginário,
pela fantasia, e garantir desde cedo o acesso ao livro. Após contar ou ler a história, distribua os
livros para os bebês manusearem. Esse momento é muito alegre, festivo e necessário para que eles aprendam a gostar de livros e de ler as imagens.
Quando estiver utilizando um livro ou álbum para contar a história, coloque-o aberto de frente para os bebês e folheie-o vagarosamente, pegando as páginas na parte de baixo ou de cima para não cruzar o braço na frente e impedir a observação das figuras. Sempre que necessário, aponte a personagem ou o objeto a que está referindo-se.
As histórias também poderão ser contadas com fantoches e dramatizadas, com outros recursos para diversificar o trabalho. Deixe os bebês pegarem os livros, pois é assim que eles aprendem; pegando. Coloque o bebê que ainda não senta sem apoio no seu colo, de modo confortável para ambos. Leia, cante, recite versos para ele. Não sinta vergonha e nem constrangimento ao fazer isso. Esta é uma contribuição valiosa para o prazer, o relacionamento e o desenvolvimento do bebê.
Os livros de pano deverão ser lavados e costurados sempre que necessário. Os plastificados, higienizados com álcool glicerinado. Todos os materiais literários deverão ser lavados e/ou restaurados sempre que apresentarem condições desfavoráveis de uso para o bebê. Permita que ele pegue os livros que estão na estante quando sentir vontade – isto faz parte do seu aprendizado e desenvolvimento. Se o momento for de tomas banho, de refeição, espere um pouco e explique o motivo pelo qual ele terá que guardar o livro, mas que depois poderá lê-lo novamente. Se o momento for de ir para casa, empreste o livro para ele, peça ao responsável para devolve-lo no outro dia. Incentive o responsável a ler para o bebê ouvir, pois é prazeroso e gratificante para ambos.
Na parede, pendure cartazes com poesias, músicas e personagens de histórias. Crie símbolos para representar cada texto trabalhado (poesia, música, etc). Coloque os cartazes na parede, fixados com papel auto-adesivo, na altura em que os bebês possam apreciar. Procure divertir-se com a literatura e a leitura, pois são atividades que dão prazer e alegria a todos: bebês, crianças, jovens, adultos, não importa a idade. Além disso, servem para o seu crescimento pessoal e profissional.
Recursos: livros e álbuns confeccionados por educadores e pais; livros adquiridos nas livrarias e plastificados; estante pequena para a sala de aula, fixada na parede na altura do bebê.
Avaliação: O educador deverá avaliar constantemente o seu trabalho para poder redimensioná-lo. Após cada atividade, analisar e registrar as necessidades de mudanças e permanências do que é realizado com a literatura junto aos bebês. A avaliação do bebê é feita com base no acompanhamento do seu desenvolvimento. Sempre que possível, após a realização de cada atividade, registrar os avanços do bebê na ficha de acompanhamento do desenvolvimento infantil.
Em reuniões de pais, exibir filmes sobre o trabalho, fazer exposições de fotos, livros, álbuns. Contar a eles como os seus filhos divertem-se com essa atividade. Permitir aos pais que narrem as histórias de seus filhos. São muito interessantes.

*FONTE: Projeto Entorno, Fundação Victor Civita e PMSP - 2010

PROJETO - O LIVRO DAS VERSÕES

Justificativa
Este projeto parte da leitura compartilhada com as crianças de uma obra de reconhecida qualidade literária. É interessante adequar a escolha dessa obra à faixa etária das crianças, então, por exemplo, ler contos de fadas em belíssimas e completas versões para as crianças de 3 e 4 anos e ler histórias mais longas, da literatura universal, por capítulos para crianças de 5 e 6 anos.
O projeto pressupõe que professores desenvolvam a prática da leitura em voz alta diária para seus alunos e requer que as crianças já tenham escutado a leitura de outros contos nas suas versões completas. No caso das crianças menores, por exemplo, com: Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, A Bela e a Fera, o Rei Sapo, Rapunzel ou Rumpelstiltskin. De outras idades, pode-se eleger, por exemplo, capítulos de livros como Robin Hood e Tristão e Isolda ou uma boa versão da Odisseia para crianças.
Uma vez que já tenha sido criado esse ambiente leitor em sala de aula, é o momento de escolher uma obra literária que aprecie muito, pois é importantíssimo esse laço do professor leitor com a obra literária, uma vez que o projeto tem como um de seus objetivos que os alunos tenham oportunidade de aprender com um bom modelo de leitor.
Recomenda-se que se converse com os alunos sobre o livro escolhido e se antecipem questões da história, criando, assim, um clima de suspense e curiosidade.
O professor deve comentar que, durante a leitura, podem surgir algumas dificuldades porque é uma obra que foi escrita muito tempo atrás e traz uma linguagem diferente daquela a que estão acostumados, mas que isso é muito bom e que eles vão descobrir palavras novas e muitas informações interessantes sobre uma época e um lugar diferentes dos nossos.
A escolha do livro ou texto se justifica por proporcionar uma situação significativa de fruição de uma obra literária de qualidade, da leitura de um texto longo, do contato com um vocabulário rico e da possibilidade de conviver com um modelo de leitor proficiente, elementos importantíssimos no processo de formação de leitores.


Objetivos e conteúdos
Os objetivos e conteúdos do projeto institucional O Livro das Versões são apresentados no quadro abaixo:

Objetivos:
• Criar um ambiente que facilitasse a imersão na cultura escrita;
• Potencializar o papel da professora um modelo de leitora para as crianças: modelo de ações, de expressões, de atitudes, de leitura;
• Possibilitar que as crianças se familiarizem com o vocabulário e linguagem literária;
• Favorecer, mediante a recepção de textos de autores consagrados, da capacidade de compreensão e de produção da linguagem escrita;
• Potencializar o papel da professora um modelo de escritora para as crianças: quando ela registra o texto oral com destino escrito produzido por elas; e
• Exercitar a reescrita (por meio do ditado à professora) como instrumento para se apropriar das construções, das regularidades e das particularidades dos livros.


Conteúdos:
• Leitura como uma fonte de prazer e entretenimento;
• Intercâmbio entre leitores;
• Gerenciamento da escrita: planejamento, textualização, revisão e edição; e
• Imersão em uma obra literária e construção de uma nova versão.


Público
Esse é um projeto que pode ser realizado com a Educação Infantil ou com os anos iniciais do Ensino Fundamental. Nesse material, o projeto teve o nível de desafio ajustado para crianças da Educação Infantil, portanto, o único cuidado antes de realizá-lo com crianças do Ensino Fundamental é adequar o nível de desafio para o que é ideal para esses alunos.


Prazo e estrutura
Entre a fase de planejamento, preparação e condução das atividades, estimase que o projeto tenha duração de três meses.
Para implantá-lo, são necessários os seguintes materiais: livros literários; materiais para registrar/revisar o texto ditado pelas crianças (papel craft, canetões); e materiais para a confecção do livro com a nova versão de uma história elaborada pela sala.


Etapas de desenvolvimento
Para se implementar O Livro das Versões, são necessárias as etapas abaixo:

Primeira etapa
Nessa etapa, é preciso cuidar da faixa etária do público envolvido e a implementação deve respeitar esta divisão. O objetivo é compartilhar com as crianças a ideia do projeto.
Para as crianças menores, o professor deve ler vários contos e, ainda, reler os preferidos. Depois disso, a sala vai escolher o conto de que as crianças mais gostaram e esse conto vai ser ditado pelas crianças para a professora para que todos juntos possam montar o livro da classe.
Com as crianças maiores, os professores devem ler um livro por capítulos e, no final da leitura do livro, eles vão contar a história para o professor. Deste ditado é que se montará um livro com a versão da sala para a história.
Segunda etapa
Deve-se compartilhar com as crianças ou decidir com elas para quê se destina o livro: sarau, exposição de livros, “leitura” para um público escolhido, presente para as crianças de outra sala ou de outra escola, etc.
Terceira etapa
Essa é a etapa de leitura da obra literária escolhida e também deve respeitar a faixa etária das crianças.
Para as crianças menores, deve-se ler um conto diferente a cada dia de uma semana e na semana seguinte retomar os títulos lidos (que podem estar registrados num cartaz, por exemplo). Depois disso, deve-se perguntar que história as crianças gostariam de ouvir de novo e reler as históriascomentadas para, enfim, escolher coletivamente a preferida da sala.
Para a leitura de histórias mais longas, com as crianças maiores, deve-se apresentar o livro que será lido, fazendo uma propaganda animada dele. Depois se inicia a leitura e, ao final da leitura de cada capítulo, propõe-se antecipar, junto com eles, os acontecimentos do próximo com base na leitura do próximo título e do levantamento de hipóteses sobre seu conteúdo, estimulando, assim, comentários e trocas de impressões sobre o capítulo lido.
Quarta etapa
A proposta desse momento é retomar da história para as crianças e iniciar a construção do texto. São as atividades desta etapa:
* Convidar as crianças a construírem sua própria versão da história que foi lida, ditando à professora a forma como se lembram dela, o que lhes chamou atenção, o que mais gostaram. Esse material será a base para a produção de um livro com as versões das crianças;
* Para começar a escrita, combinar com as crianças que elas vão ditar para a professora escrever, que todos devem participar, que devem procurar “caprichar” bastante, escolhendo palavras e formas de dizer que acharam bonitas na história;
*Combinar que todos vão fazer ilustrações e cuidar do acabamento do livro;
* Dividir a escrita da história em dois ou três dias, como for necessário, respeitando o ritmo das crianças (observe o momento em que as crianças começam a se dispersar, releia o que foi ditado e combine que continuam no próximo dia);
* A partir do segundo dia de escrita, reler o que já foi escrito e retomar coletivamente o que falta da história antes de solicitar que as crianças continuem a ditar a história;
* Quando terminar a escrita, escolher outro dia de aula para revisar o texto com eles (reler a história e perguntar de falta alguma coisa ou se eles querem mudar algo);
* Envolver as crianças na escrita do título, nomes dos capítulos e legendas das ilustrações. É importante para esse dia montar uma página com as “assinaturas” dos autores; e no final do processo, incluir no livro um pequeno texto coletivo produzido com as crianças, contando como foi o processo de escrita da nova versão.

Etapas finais
Uma quinta etapa seria a montagem do livro baseado no material produzido.
Depois de ter o material pronto, deve-se preparar com a turma o que seria a etapa final: organizar com elas um evento para apresentar o livro feito, o que pode ser um sarau, uma exposição, uma doação etc.


Avaliação
Ao decorrer do trabalho, é importante avaliar: os avanços das crianças com relação aos objetivos do projeto; o planejamento de intervenções individualizadas; e/ou o replanejamento e o reajuste das etapas do projeto em função desse processo.


* Fonte: Projeto Entorno - PMSP e Fundação Victor Civita, 2010