quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

SUGESTÕES - ATIVIDADES DE ESCRITA


É importante reconhecer que na escola, a escrita serve para comunicar informações, para tomar notas e ajudar a memória, para listar as atividades do dia, para publicar um livro de histórias, uma seção de dicas de leitura etc. Enfim, são muitas as situações em que a escrita aparece com sentido, com finalidade social real, explícita e clara para os alunos.

Nas situações de escrita para a construção do sistema ou para construção da linguagem escrita deve-se garantir:

a. conhecimento da situação de produção do texto: interlocutores, gênero, lugar social ocupado pelos interlocutores, lugar social onde circulará o texto, instituições sociais em que o texto circulará, portadores, a finalidade com que será escrito.



b. atividades de ensino que repertoriem os alunos quanto ao contexto de produção do gênero solicitado.



c. oportunidade para que os alunos vivenciem os procedimentos da escrita (planejar, escrever, revisar, reescrever).


(...)




Sugestões de Atividades



Escrita de listas
• Rotina do dia.
• Materiais que devem trazer todos os dias.
• Fatos vivenciados no dia para o diário pessoal.
• Cartazes para o mural que comporão os referenciais de escrita (dias da semana, meses do ano, aniversariantes do mês, os melhores livros lidos, histórias de terror etc.).
• Personagens de determinado conto.
• Cardápio do dia na escola.
• Cardápio desejado pela turma.
• Jogos conhecidos.
• Jogos dos familiares.
• Título do texto lido no dia.
• Lista dos cinemas, parques e outros pontos de lazer mais próximos.


Outros gêneros
• As adivinhações preferidas da turma.
• O poema que mais gostaram, ou um trecho dele.
• Uma curiosidade sobre um animal, cuja reportagem foi lida.
• Uma quadrinha que a turma decorou.
• Regras de jogos.
• Ficha do animal.
• Ficha técnica de um planeta.
• Ficha dos livros da caixa literária / registro dos empréstimos.
• Dica de leitura de um livro.
• Dica de atividades culturais da semana.
• Legenda de uma fotografia/imagem para o mural de curiosidades.
• Notas sobre o estudo de determinado tema.
• Notas sobre uma estratégia de resolução de um problema para socializar como os colegas.
• A 4ª capa de um livro lido pela professora.
• Pequena biografia de um autor conhecido.
• Títulos e subtítulos para textos lidos.

Como vocês já sabem, em muitas das situações sugeridas há a necessidade de construir uma pequena sequência de atividades que explicite as características dos gêneros solicitados para produção.





:: Sugestões da Equipe CENP/ SEESP

PARA GOSTAR DE LER... CRÔNICA



Requerimento
Adriana Falcão







Caro Senhor Tempo,
Espero que esta o encontre passando bem, ou melhor, passando o mais devagar possível.
Por aqui vai-se indo, como o Senhor quer e consente, meio rápido demais para o meu gosto, e quando vi já era dezembro.
Foi-se mais um ano.
E com ele foram-se uma quantidade incalculável de amores, cores, idades, alguns amigos, não sei quantos neurônios, memórias, remorsos, desvarios, cabelos, ilusões, alegrias, tristezas, várias certezas (se não me engano, treze), algumas verdades indiscutíveis, umas calças que não fecham mais e aquele vestido de que eu gostava tanto.
Foi-se o meu gosto por vitrine.
Foi-se quase todo o meu vidro de perfume.
Foi-se meu costume de imaginar asneiras à noite.
Foi-se meu forte instinto de acreditar no que me dizem.
Foi-se meu açucareiro de porcelana.
Que pena.
Foi-se o tempo em que uma simples farra não significava necessariamente uma condenação sumária no dia subseqüente.
Foi-se a poupança.
O troquinho da gaveta.
Foi-se aquele antigo projeto.
Foram-se exatamente nove vírgula seis por cento de todas as minhas esperanças.
Será que o Senhor não se cansa, seu Tempo?
Não pensa em tirar umas férias, dar uma pausa, respirar um pouco? Não lhe agrada a idéia de mudar o andamento? Diminuir o ritmo? Em vez de tic-tac, inventar uma palavra mais comprida para compasso, mantra, ícone, diagrama?
Me diga sinceramente: para que tanta pressa?
Anda difícil acompanhar seus passos ultimamente.
Não precisa dar meia-volta, eu não espero tanto. Eternidade? Não. Só queria sua amizade.
Mas já é dezembro.
Foi-se mais um ano.
E o Senhor passou voando, rebocou os meus momentos, foi desbotando minhas lembranças, carregou mais doze meses inteiros levando cada instante meu de carona.
Tentei voltar atrás em algumas decisões. Já era tarde.
Não deixei nada para amanhã. Mesmo assim não fiz sequer metade do que pretendia. Imaginei várias maneiras de estancar os dias, segunda, terça, quarta, quando via já era quinta. Sexta. Sábado. Domingo. Pronto.
Pensei em fuga. Será que existe algum lugar deste mundo onde as horas não me encontrem? Fiquei meses trancada em casa. Foi inútil. Lá fora, o Senhor continua passando.
E já passou mais um pouquinho.
Calma, Tempo! Espere só um minutinho para eu explicar melhor meu ponto de vista.
Nem todo mundo é pedra, concorda? Dito isso, imagine então quantos pobres mortais sofrem da mesma agonia diária: giros e mais giros nos ponteiros, os cantos dos cucos, as denúncias das sombras, os grãos de areia escorrendo (parece até hemorragia crônica), tudo escapulindo, descendo, subindo, o frenesi dos dígitos, um, dois, três, quatro, cinco, cem, o Senhor vai tirar o pai da forca? Está fugindo de alguém? De quem? De mim? De ontem?
Eu conheço de cor suas obrigações.
Estou convencida de suas utilidades.
Não fosse o Senhor, não existiriam saudade, retrato, suvenir, antiguidade, história, época, período, calendário, outrora, passatempo, novidade, creme anti-rugas, disputa por pênaltis, antepassado, descendente, dia, noite, nada, não existiria sabedoria, eu sei disso.
Não tome como queixas minhas palavras, por favor não tome.
Aqui vai apenas uma súplica.
Ah, se o Senhor fosse mais indulgente, mais piedoso, mais pensativo, se fosse baiano, menos estressado, mais manso, menos rigoroso, um bon-vivant, e se distraísse aí pelo caminho, e se deixasse apreciar as paisagens, e sofresse um devaneio, e ficasse de bobeira, esquecido das horas, divagando.
Escute aqui, seu Tempo, que tal deixar passar o resto e parar quieto um pouco?



PLANEJAR É PRECISO!


PLANEJAR: É PRECISO



O poeta português Fernando Pessoa tem um célebre verso que diz “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Este verso pode remeter o leitor à importância da precisão, dos detalhes, do planejamento para a realização das viagens marítimas...
A necessidade de planejar é algo inerente a inúmeras atividades humanas. Os navegadores portugueses, no fim do século XV, lançaram-se ao mar procurando atingir o objetivo de encontrar uma rota para as Índias. Para tanto, desenvolviam inúmeros procedimentos que os auxiliassem a alcançar os objetivos traçados e, assim, buscavam apoio na precisão dos instrumentos náuticos.


Caixa de ferramentas para a viagem


O início do ano letivo marca o começo de uma nova viagem e, como em toda viagem, é preciso planejar a rota, para que os viajantes não navegem a esmo. O diagnóstico da escola é o instrumento que vai traçar o percurso rumo ao objetivo que se quer atingir nessa viagem.
Para esse diagnóstico, a equipe escolar conta com algumas ferramentas produzidas pela própria escola e também fora dela: dados da avaliação final da escola, indicadores da avaliação da aprendizagem e do fluxo escolar, avaliação externa, metas estabelecidas no ano anterior – balizadas pelo IDESP – e dados de aprovação e evasão.
A análise desses dados permitirá a identificação dos aspectos que já foram superados pela escola, dos problemas já resolvidos e dos desafios que ainda se apresentam e devem ser enfrentados.


Quem está a bordo?


No início do ano, é importante construir ou fortalecer vínculos com os companheiros de jornada: professores, alunos e funcionários. Conhecer as características da comunidade, intra e extraescolar, ajuda a compreender o contexto e as prioridades da escola. Além disso, para planejar é preciso que se garanta um espaço propício para a participação e a negociação entre os diversos sujeitos envolvidos e, para que o trabalho pedagógico se desenvolva satisfatoriamente durante todo o ano letivo, um clima de receptividade ao outro e de integração deve ser promovido desde o início. Portanto, acolher a todos, principalmente professores, alunos e pais recém-chegados à escola, é fundamental para estimular o sentimento de pertencimento, o respeito e o compromisso de todos com a aprendizagem.


Proposta Pedagógica e Currículo: A carta e a bússola


Assim como os navegantes utilizavam as cartas náuticas para se orientar, a proposta pedagógica da escola deve ser revisitada, pois seus princípios e diretrizes são essenciais para planejar as ações e estratégias que serão desenvolvidas a fim de atingir as metas estabelecidas no planejamento. Essas ações e estratégias devem ser referenciadas na concepção de currículo vigente na rede estadual paulista. Esses dois documentos, Proposta Pedagógica e Currículo, norteiam a elaboração do Plano de Gestão que engloba diversos documentos da escola. Entre eles, ressalta-se a importância do Plano Pedagógico Estratégico para o ano de 2010 e dos Planos de Ensino.
O Plano Pedagógico Estratégico para o ano de 2010, que deve ser elaborado com base no diagnóstico, tem por objetivo desenvolver ações que promovam a superação das dificuldades detectadas. Para tanto, metas, prazos e responsáveis são definidos para alcançar o que se objetiva. Documenta um compromisso de todos, registrado em ações específicas de cada professor, gestor e funcionário, que deverá ser monitorado diretamente pelo diretor da unidade nos prazos regulares previstos.
Os Planos de Ensino, elaborados pelos professores, para cada série e disciplina, têm a finalidade de orientar o desenvolvimento da prática pedagógica, definindo os pontos de partida e de chegada da aprendizagem. Eles serão os guias para a elaboração dos planos das aulas e avaliação da aprendizagem dos alunos.
Devem ser flexíveis, podendo ser replanejados a cada bimestre, ou sempre que necessário, devidamente adequados ao desenvolvimento de cada série/ano e turma. São elaborados levando-se em consideração a Proposta Pedagógica e o Currículo e permitem o acompanhamento do trabalho pedagógico pelo Professor Coordenador.
Do ponto de vista legal, a definição do Currículo é prerrogativa do Estado, enquanto instância responsável pela oferta da educação pública, gratuita e obrigatória. O Currículo do Estado de São Paulo, portanto, é a bússola que dará o norte para os Planos de Ensino, pois nele estão presentes as competências e habilidades, com a sugestão de conteúdos considerados fundamentais para a formação dos estudantes e como garantia de seu direito de aprender. Nos Planos de Ensino construídos pelos professores, poderão ser acrescidos outros conteúdos e marcos de aprendizagem, desde que aqueles já previstos no Currículo adotado tenham sido atendidos.
Os Planos de Ensino servem de instrumento de comunicação entre pais, alunos e professores, possibilitando o acompanhamento do processo de aprendizagem dos alunos. Assim, a escola deve garantir a acessibilidade desses documentos a todos, disponibilizando-os da melhor maneira possível: no site da escola, em versões impressas, em divulgações periódicas nos quadros de aviso/murais ou em outros suportes definidos pela equipe escolar.
A partir dos Planos de Ensino, os docentes elaborarão os planos de aula, imprescindíveis para o desenvolvimento das práticas cotidianas na sala de aula, local privilegiado onde o processo de ensino e aprendizagem se concretiza. Ao desenvolver seus planos de aula, o professor deverá utilizar os materiais didáticos disponibilizados pela Secretaria da Educação, bem como outros materiais e recursos presentes nas escolas, adequando-os e adaptando-os à realidade de suas turmas.


Ou a viagem é boa para todos ou se perdem navegantes pelo caminho


No desenrolar do processo pedagógico, os professores serão desafiados a enfrentar algumas dificuldades que, uma vez diagnosticadas pelo professor, necessitam de imediata intervenção. Tal agilidade tem como objetivo evitar que problemas simples ganhem magnitude e complexidade. Ao intervir, o professor estará pondo em prática a recuperação contínua da aprendizagem.
Adiar ações coloca em risco o sucesso da viagem e a segurança dos viajantes. Portanto, procedimentos que favoreçam a recuperação contínua devem ser pensados e previstos, desde o planejamento, para sua ágil utilização tão logo diagnosticada essa necessidade.
Como nem todos aprendem ao mesmo tempo e nas mesmas condições, algumas situações exigirão recuperação paralela, promotora de intervenção mais aprofundada, prolongada e específica.
O encaminhamento de alunos para a recuperação paralela, que em 2010 ocorrerá já no começo do ano letivo, é produto de recomendação dos conselhos de classe/série/ano realizados no final do ano letivo anterior.
No momento do planejamento, esses encaminhamentos devem ser retomados para que os professores possam organizar suas ações, considerando as necessidades diagnosticadas e acompanhando seu processo de desenvolvimento na recuperação paralela. Os Professores Coordenadores das Oficinas Pedagógicas, de Língua Portuguesa e Matemática, terão melhores condições, agora em 2010, no auxílio aos professores para que estes compreendam melhor as dificuldades de aprendizagem ainda relativas aos processos de alfabetização e de letramento matemático. Isso servirá para que ajustem seus procedimentos quanto à reposição das estruturas que faltam aos alunos, sejam eles oriundos de outras redes ou da nossa própria, e para que possam, desse modo, prosseguir com mais chance de sucesso ao longo de sua escolaridade.


Checando as coordenadas


O planejamento do início do ano organiza as ações que a escola definiu como necessárias para atingir seus objetivos e metas. Sua elaboração é o ponto de partida de um conjunto de ações que será desencadeado ao longo de todo o ano letivo. Para que o planejamento não se transforme em simples “declaratório de intenções”, é imprescindível que a escola crie mecanismos de monitoramento das ações, no sentido de acompanhar o cumprimento de cada etapa, avaliar seus resultados e, se for o caso, definir novos encaminhamentos. Todos esses desdobramentos devem fazer parte do plano anual das HTPC.
É necessário enfatizar a importância da elaboração desse plano para as HTPC, porque ele viabiliza espaços de reflexão e troca de experiências, avaliação e proposição de ações, bem como a formação continuada do grupo de profissionais da escola, potencializando o conceito de “escola que aprende”.
As necessidades apontadas pelo grupo, e que exigem o apoio da Diretoria de Ensino, deverão ser elencadas e encaminhadas ao órgão para que sejam incorporadas em sua programação anual.
A viagem é longa e todos precisam se sentir respeitados e acolhidos
Para a criação de um clima de respeito e harmonia é necessário o conhecimento e compromisso de todos com as Normas de Gestão e Convivência. Para tanto, elas devem ter legitimidade, e, por isso, devem ser revisitadas no planejamento escolar e reformuladas, se necessário, com a participação de todos os segmentos.
:: fonte: www.cenp.org.br

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ESCOLA E PLANEJAMENTO


ESCOLA E PLANEJAMENTO


Avaliação, Decisão e Planejamento


Planejamento é uma palavra transitiva que, ao ser qualificada, ganha sentido pleno e direciona procedimentos e estratégias específicas, para que se alcancem objetivos e metas. Nesse sentido, acrescentar à palavra PLANEJAMENTO o adjetivo EDUCACIONAL implica assumir, de forma radical e abrangente, a postura de educador que pensa e age em função de uma educação traduzida em aprendizagem real e sucesso do aluno.
Por isso, a atividade de planejar as ações da escola precisa ser sempre uma resposta consequente, a favor do aluno, vinda de uma necessidade detectada. O diagnóstico dessa necessidade deve ser resultado de um processo avaliativo, em que o objeto de análise seja a instituição educacional, em suas diversas dimensões: Pedagógica, Participativa, Resultados Educacionais, Gestão de Pessoas, Serviços, Recursos e Financeira.
Planejamento e Avaliação são procedimentos indissociáveis, uma vez que toda avaliação pressupõe uma tomada de decisão planejada e intencional, na busca da melhoria do que está sendo avaliado e, por conseguinte, todo ato de planejar deve estar sustentado em dados relevantes, colhidos em processos de avaliação diagnóstica organizados para esse fim.
Uma avaliação diagnóstica bem embasada ao final do ano escolar é essencial para iniciar, com competência, um novo ano letivo. Portanto, os dados relevantes que servirão de subsídios para o planejamento de 2010 deverão ser aqueles que foram identificados na avaliação final da escola, em dezembro de 2009.
As legislações que orientam a elaboração do Calendário Escolar e os Conselhos de Classe/Série e a HTPC incluem momentos voltados a atividades de avaliação; e aqui é de suma importância garantir a realização da avaliação anual da escola. Nesse momento, a equipe que nela atuou, em 2009, deve avaliar o processo que vivenciou para dar subsídios a quem vai construir o “fazer” escolar em 2010.
Esse processo avaliativo deve se constituir não somente por meio de instrumentos que, como espelhos, reflitam a realidade momentânea da escola, mas também que, como lâmpadas, iluminem e indiquem caminhos possíveis e seguros para uma atuação competente a favor da melhoria do processo de aprendizagem do aluno.
A priorização desse momento, destinado a identificar as fragilidades e pontos de atenção que dificultam a organização da escola, bem como os pontos fortes e as potencialidades existentes, é fundamental para que o processo de avaliar/planejar se concretize de maneira consequente. É nesse momento que a escola se vê, constrói sua “identidade” e exercita sua autonomia.
A Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, ao propor um currículo oficial e definir metas para as escolas estaduais, optou por um trabalho articulado entre as unidades escolares e os órgãos regionais e centrais do sistema, visando à equidade no trabalho desenvolvido na rede, sem desconsiderar as especificidades locais. Dessa forma, caminhar juntos significa construir um espaço de autonomia compartilhada, em que todos os sujeitos desse processo tenham participação efetiva e igualitária.


Participação, Identidade e Planejamento


Pensar o Planejamento Escolar pressupõe realizar um exercício participativo e reflexivo sobre o contexto em que a escola se insere, as demandas da comunidade em que está situada e as do mundo contemporâneo. Também é preciso considerar aspectos relevantes do interior de cada escola, para que as ações a serem planejadas sejam coerentes com as necessidades identificadas.
O Estado de São Paulo consolidou, ao longo da última década, uma cultura avaliativa de larga escala que tem subsidiado não só o estabelecimento de políticas educacionais, mas também tem ajudado as escolas a refletir sobre o cumprimento da sua função social e a qualidade do ensino por elas ofertado.
Os resultados dessas avaliações externas têm demonstrado que já aconteceram avanços significativos, mas, também, que ainda há muito que se investir para a consolidação de uma educação plural e justa.
Nessa direção, a implantação de um currículo básico para toda a rede estadual – ao qual se articula a matriz de referência de avaliação do Saresp –, traduzido em situações de aprendizagem constantes dos materiais destinados a professores e alunos, busca não só minimizar os efeitos das desigualdades detectadas, mas também garantir oportunidade de trabalho com uma concepção de aprendizagem que privilegia a construção de saberes e competências baseados em conteúdos significativos e contextualizados.
O compromisso com a aprendizagem de todos os alunos só se efetiva com uma escola que aprende, que oportuniza e potencializa espaços de formação condizentes com as necessidades de todos os sujeitos aprendizes. O conceito de escola que aprende assumido aqui é o de que todos os atores do espaço escolar estão diretamente envolvidos com a construção de saberes para si e para os demais.
Nessa escola não só o aluno tem o que aprender. O professor também precisa aprender a ensinar cada um de seus alunos; o gestor, aprender a gerir essa escola, que é diferente de qualquer outra que já tenha atuado e que a cada ano traz consigo suas especificidades e demandas; os funcionários, pais e a comunidade têm de reaprender aquilo que já era sabido e feito anteriormente, ainda que com bastante competência, pois os desafios são novos a cada momento.
Os espaços de formação da escola que aprende (HTPC, Reuniões Pedagógicas, Conselhos de Classe e Série, Reuniões de Planejamento) devem garantir a problematização sobre “como aprendem os que ensinam?” com a finalidade de refletir sobre a construção dos saberes profissionais necessários aos educadores que se comprometem com a aprendizagem de todos os alunos. Só aprendem a ensinar aqueles que aprendem a aprender.
Isso posto, é possível afirmar que o ato de planejar é um exercício privilegiado de construção e consolidação de identidades. A identidade da escola que se explicita na sua Proposta Pedagógica. A da equipe gestora que se consolida na execução do planejado. A dos professores que se concretiza na efetivação do currículo e se manifesta na aprendizagem de seus alunos. A dos funcionários que, ao participar da ação de planejar, se incluem como educadores, que também o são, no papel de formar os alunos nos múltiplos espaços da escola. A da comunidade que, sendo partícipe, assume a escola como sua.
Por fim, a identidade dos alunos é construída quando se percebem sujeitos de uma escola onde todos os segmentos estão articulados com a finalidade de planejar um ensino que garanta a eles, além da formação para autonomia, um projeto de vida plena, alicerçado em conhecimentos, valores e atitudes que os identifiquem como alguém competente na construção da própria história.


Intenção, Registro e Planejamento


Muito tem se falado da importância dos registros para a organização da escola. Mesmo assim, ainda é preciso aprimorar o exercício dessa prática, uma vez que ela é fundamental para subsidiar as decisões tão necessárias na ação de planejar e executar o planejado.
Quem registra tem memória e história. A importância da historicidade para embasar o planejamento escolar vem da possibilidade de contextualizar e situar no tempo e no espaço as demandas e as potencialidades da instituição escolar.
Ler os registros já elaborados permite entender os condicionantes e as necessidades da escola. Já a elaboração de novos registros, durante o planejamento, possibilita a reflexão sobre os dados, bem como indica os caminhos a serem tomados para a superação das dificuldades detectadas. Documentam um compromisso escrito quanto às intenções. Dessa forma, o registro é o impulsionador da reflexão sobre a prática, pois possibilita a constatação da teoria na prática. Oportuniza a tematização das ações.
Por isso, os registros escolares são fundamentais como apoios no planejamento escolar porque trazem à memória os fatos acontecidos, os dados a serem considerados, permitindo que a riqueza do processo de planejar se transforme em documentos (registros) que orientam as ações a serem desencadeadas a partir do planejado.
Sem registro e a análise decorrente dele não é possível avançar para além do realizado ou, muitas vezes, sequer observar o realizado, com o risco de repetir equívocos e perder oportunidades de introduzir ações inovadoras.


domingo, 7 de fevereiro de 2010

ENTREVISTA: HELOÍSA PRIETO




A escritora Heloisa Prieto explica como é possível incentivar alunos do ensino infantil e fundamental a gostar de ler. Ela também dá sugestões de obras que ajudam a incorporar a leitura no cotidiano escolar das crianças.



Palavra de escritora



A escritora infanto-juvenil Heloisa Prieto, nascida em uma família de contadores de histórias, tem cerca de 40 títulos publicados, coleciona quatro dos mais importantes prêmios da literatura infantil do Brasil e já escreveu textos para teatro, cinema e para TV, onde participou do programa Castelo Rá-Tim-Bum. Entre os livros que Heloisa escreveu, estão Lá Vem História e Lá Vem História Outra Vez, da Companhia das Letras; Balada, da editora Brinque Book e a série
Mano Descobre, em parceria com o jornalista Gilberto Dimenstein. Atualmente, ela faz doutorado na Usp, estudando o processo de criação de narrativas míticas.
Heloisa concedeu entrevista ao Diário na Escola, falando sobre literatura, leitura, rodas de histórias e livros indicados para crianças do ensino infantil e fundamental, bem como sobre a postura dos professores diante do desafio de trazer a literatura para a vida dos alunos. Ela deu dicas como, por exemplo, a de que o leitor iniciante não tem a obrigação de ler uma obra toda, do começo ao fim. Ele pode saltar capítulos, ler trechos ou até devorar o livro sem interrupções, se estiver empolgado. “O conselho que eu daria para que a leitura seja incorporada no cotidiano da criança é que os pais e educadores a considerem como fonte de conhecimento, mas também de lazer”, disse. A seguir, acompanhe a entrevista completa com uma das principais autoras da literatura infanto-juvenil brasileira da atualidade.



DIÁRIO NA ESCOLA – A arte de narrar histórias está em vias de extinção?
HELOISA PRIETO – As histórias estão em todo lugar, por exemplo, no outdoor que contém uma
microcena de namoro, no comercial da televisão, nas novelas, nas revistas de fofocas, no rádio, nos videoclipes, nos filmes, romances, revistas em quadrinhos, vivemos num mundo dominado por milhares de narrativas. O ritual tradicional de contar histórias acompanha o ser humano desde as cavernas rupestres e sempre existirá, mesmo que a conversa hoje em dia trate de lendas urbanas e que seu conteúdo seja em um shopping-center.



DIÁRIO NA ESCOLA – Qual a importância dos momentos de leitura, rodas de história, para alunos e professores?
HELOISA – Quanto mais o educador tiver consciência da permanência das histórias e menos preconceito com relação ao mundo moderno, no sentido de tentar compreender a linguagem dos quadrinhos, dos jogos de RPG (nos quais os participantes atuam como personagens de uma história), dos blogs na Internet, do videogame e do videoclipe, mais facilidade terá em estabelecer vínculos entre o mundo do jovem moderno e o universo da literatura tradicional. O ritual formal da leitura é muito importante, mas o professor também deve considerar a inteligência do jovem. Quando um educador considera a geração da Internet como um recipiente a ser preenchido por conhecimentos livrescos restritos a uma concepção romântica da literatura, esvazia toda possibilidade de diálogo e de troca com o jovem habituado ao mundo virtual.



DIÁRIO NA ESCOLA – Quais são as histórias que encantam as crianças dos ensinos infantil e fundamental?
HELOISA – Contos de fadas e literatura fantástica constituem um gênero literário que é considerado como o mais apreciado por jovens e crianças. Porém, isso não exclui o leitor adulto que também pode encantar-se com as peripécias do Mago Merlin ou rei Arthur. Já a literatura de aventuras, como os clássicos Conde de Monte Cristo, Os Meninos da Rua Paulo, Os Capitães de Areia, Drácula, são histórias para jovens de todas as idades. Finalmente, as fábulas, tanto as
tradicionais, de Esopo, quanto as modernas, como os livros de Ana Maria Machado e Ruth Rocha, sempre divertem e instruem crianças e professores. Impossível não rir de Marcelo, Marmelo,
Martelo (Ruth Rocha) ou refletir com os problemas de Raul da Ferrugem Azul (Ana Maria Machado).



DIÁRIO NA ESCOLA – Normalmente, as crianças têm um certo receio de livros maiores, com textos mais longos e sem muita ilustração. Por que isso acontece? Como o professor pode trabalhar para desconstruir essa idéia?
HELOISA –Atualmente, os dois livros mais vendidos para jovens em livrarias são a coleção Harry Potter e o Senhor dos Anéis. Os livros são longos, sem ilustrações e todos têm a obrigação de tê-los em suas mochilas. Os jovens gostam de livros longos, mesmo que os leiam saltando capítulos. Quem tem dificuldade de incorporar este material em sala de aula é o professor, habituado a trabalhar com o apoio da ilustração, com o texto curto, em formato de conto. Creio que o professor deve procurar maneiras de capacitar-se para o ensino da literatura de aventuras, (Os Três Mosqueteiros na versão integral tem 1,2 mil páginas). Porém, há livros de qualidade a respeito de como desenvolver a leitura criativa no universo do jovem e da criança. Cecilia Meirelles tem uma obra interessante sobre esse assunto, bem como Fanny Abramovich, Ana Maria Machado, de minha própria safra há o título Quer Ouvir uma História?, da editora Angra.

DIÁRIO NA ESCOLA – Como incorporar a leitura no cotidiano das crianças?
HELOISA –O conselho que eu daria para que a leitura seja incorporada no cotidiano da criança é que os pais e educadores a considerem como fonte de conhecimento, mas também de lazer. Já vi pais proibindo filhos de comprarem livros que não estivessem na lista dos professores. Porém, todo mundo deve ter uma boa quota de literatura de entretenimento. Daniel Pennac, um educador francês dizia que todo leitor tem direito de abandonar um livro, saltar capítulos, ler sem parar, enfim... Em casa, sempre ajuda montar uma pequena estante no quarto e, quando possível, levar os filhos numa livraria dando-lhes liberdade de comprar livros de seu próprio interesse. Na escola, é sempre bom quebrar o mito de que a leitura depende de uma compreensão definitiva. Um bom livro contém muitos níveis de interpretação. Quando o professor reduz a mensagem a um único caminho determinado por ele, na verdade, limita o espaço de reflexão que a literatura libera. Um autor como Shakespeare pode ser lido durante toda uma vida e a cada leitura se descobre uma nova camada de conhecimento.
DIÁRIO NA ESCOLA – Quais são as dicas para o professor inserir na sua prática as rodas de leitura como atividade permanente sem tornar a história apenas um exercício escolar, mantendo seu encantamento?
HELOISA –Para que o professor crie um clima gostoso com as crianças na hora de contar uma história é preciso que ele goste da história que escolheu. Quem sabe narrar com gosto, conta histórias num acampamento, debaixo de uma mangueira, à beira da praia, no ônibus. É preciso também que o professor tenha sensibilidade para perceber as histórias que mais encantam seus alunos e i7nky, a escritora russa, radicada no Brasil, que foi amiga de Monteiro Lobato e é considerada a Sherazade brasileira (Sherazade é a personagem contadora de histórias no livro As Mil e Uma Noites). Narrar é uma forma de pensar o mundo. Se a professora está na manicure e começa a contar um caso que aconteceu com ela, está praticando esta arte ancestral
que nunca entrará em extinção porque estrutura o pensamento humano.

Heloisa Prieto afirma que existem duas formas de leitura: A primeira é a leitura que dá prazer, que diverte; a segunda, é a leitura que deve ser feita como observação e apreciação do estilo do autor, do talento que ele tem para escrever. Para ela, a criança pode pertencer a uma “família de livros” diferente da dos pais dela e isso deve ser respeitado. “A relação com histórias e livros é complicada e merece especial atenção”, diz. Ela também dá sugestões de obras que ajudam a incorporar a leitura no cotidiano escolar das crianças




* FONTE: DIÁRIO DO GRANDE ABC - DIÁRIO NA ESCOLA (12/09/2003)

SUGESTÕES: MATERIAIS PARA ORGANIZAR OS CANTOS NA SALA DE AULA




Sugestões de materiais



Estas são apenas sugestões de como montar jogos simbólicos com recursos que podem ser adquiridos por meio de doações. É interessante que o professor faça juntamente com as crianças uma lista do que julgam interessante para os cantos de jogo simbólico. Feita a lista, podem escrever uma carta aos pais e comunidade (médicos, cabeleireiros, feirantes...) pedindo ajuda para montagem dos kits, com materiais doados para incrementar o jogo. Para organizar a chegada dos materiais vale separar caixas de papelão ou caixotes de madeira para guardá– los de forma a facilitar a montagem dos cantos. Podemos ainda, organizá –los pelas categorias: sorveteria, supermercado, médico, kits de animais , oficinas de consertos de brinquedos, computadores, mecânica. Aproveite algumas dicas, a seguir.



Escritório
*máquina de escrever
*teclados, monitor e mouse
*lista telefônica
*telefone
*bloco para anotações
*agendas novas e usadas
*caneta / porta canetas
*máquinas de calcular
*calendário
*carimbos
*furador de papel
*maleta tipo pasta executivo
*gravatas




Oficina de Consertos
*Máquinas sem uso (computador, relógio, telefone, vídeo cassete, máquina fotográfica, impressora)
*ferramentas de plástico
*ferramentas de verdade que não ofereçam perigo como chave de fenda, panos e pincel para limpeza.
*Objetos de escritório: telefone, agenda, máquina de calcular, manuais, tabelas de preço de produto
Obs.: No caso de desmontar partes do computador, consulte sempre a equipe técnica de informática do seu município. Eles podem indicar que peças não apresentam riscos à saúde das crianças.




Médico

*embalagens de remédios vazias e bem lavadas, de mercúrio cromo e esparadrapo *vazias, de chá (camomila, erva doce ,boldo...)
*pano para compressa
*caixas de remédios com bulas
*avental branco
*sapato branco (usado)
*máscaras, toucas e luvas cirúrgicas
*estetoscópio velho
*bolsa d’água
*máscara de inalação
*ataduras
*blocos de papel c/ propaganda médica
*maleta de primeiros socorros
*chapas de raio x
*tecidos ou lençóis brancos
*colchões empilhados para servir de maca
Obs.: É importante incluir blocos e notas para marcar consultas.



Salão de beleza
*maquiagens
*embalagens vazias de shampoo e condicionador
*pentes, escovas, bobes e grampos
*presilhas, elásticos de cabelo e tiaras
*touca de banho
*espelho
*toalhas
*avental
*perucas
*secador de cabelo que não esteja mais funcionando
*creme de barbear e pincel de barba
*resto de prestobarba sem gilete
*mangueira de chuveirinho
*borrifador
*vidro de esmalte vazio
*revistas com modelos de cortes
*lista de serviços e preços
*telefone e agenda
*caderno de anotações e canetas

Feira
*caixotes de leite
*carrinho de feira
*sacolas
*bacias
*balança (pode ser feita com sucata)
*calculadora
*pincel atômico ou canetinha para marcar preços
*jornais
*avental, lenço, boné
*flores e folhas secas
*frutas e legumes de plástico ou papel machê
*roupas
*objetos
*brinquedos
*dinheiro de faz de conta, carteiras
*barbante e pregadores para prender preços dos produtos




Obs: as mercadorias listadas poderão ser aproveitadas de sucatas, embalagens, de brinquedos, ou então confeccionadas com papel machê. Uma boa opção de montagem de barraca é virar uma mesa, colocá-la sobre uma outra, utilizar os pés para esticar um barbante, e prender os preços dos produtos que ficam logo abaixo, em bacias.





Caixa de fantasias

*roupas velhas
*sapatos
*chapéus, bonés, lenços
*gravatas
*bolsas
*tecidos (tule, jersey, chita)
*cintos
*fantasias de carnaval ou teatro
*perucas
*bijuterias (armação de óculos, colar, pulseiras)
*espelho
*tecidos coloridos de diferentes tipos

Esta atividade pode ser ampliada com propostas de organização de desfiles utilizando:
roupas de adulto:
*sapato de salto alto
*vestidos
*peruca
*xale
*maquiagem
*tapete feito papel camurça ou papelão pintado (passarela)
*máquinas fotográficas
*filmadora (feita de papelão)




Cabana

Para se montar cabanas são necessários, basicamente, tecidos, barbante e alguns lugares onde seja possível amarrar um tecido: pregos ou parafusos com argolas na parede. Outra possibilidade é aproveitar os móveis da sala, como mesas viradas ao contrário com tecido em cima. Quando a sala é ampla e não se tem muitos pontos de apoio para amarrar a cabana, pode-se improvisar latas vazias de tinta com cimento e cabo de vassoura para servir de apoio para amarrar o barbante que se prende ao pano. Arames fixados de um ponto a outro da sala, presos com parafusos entre duas extremidades da parede, podem ajudar na montagem de cabanas na medida que podem ser amarradas no arame (com barbante) algumas pontas da cabana.




Casinha
*fogão e panelinhas
*livro de receita
*frutas de brinquedos
*embalagens vazias (leite, danone, sabão em pó, caixa de ovo)
*bonecas e mamadeiras
*caminhas
*roupinhas de bonecas
*panos
*panelas velhas (pequenas)
*bule e xícaras
*copos e pratos de plástico
*liquidificador
*escorredor de macarrão e de arroz
*ferro de passar roupa
*colheres e outros utensílios de pau ou alumínio
*chuveiro velho
*telefone velho
*agenda e bloco de recados
*lista telefônica
*caneta



Supermercado

*diversas embalagens de produtos vazias
*frutas de plástico
*sacolas de supermercado
*caixa registradora
*etiquetas para marcar precos dos produtos
*prateleiras improvisadas para armazenar os produtos
*placas para marcar ofertas de produtos
*etiquetas de preços
*cartazes de propaganda de produtos
*carrinhos de supermercado e cestas
*crachás
*telefone
*notas de papel e fichas (dinheiro) e carteira

:: fonte: www.formaremrede.org.br

sábado, 6 de fevereiro de 2010

LEITURA PELO PROFESSOR



Revista Avisa lá, págs. 24 a 28 ed. nº 7 – julho/2001
Reflexões do formador





LEITURA PELO PROFESSOR




Um projeto para conhecer e apreciar histórias





Com o objetivo de mudar a prática de contar histórias para as crianças, uma escola de São José dos Campos (SP) usou o tempo destinado às reuniões pedagógicas e desenvolveu um trabalho muito bem-sucedido.



"A hora da história em nossas escolas não era bem aproveitada. Contávamos histórias para preencher os buracos que havia em nosso tempo didático, mas não tínhamos objetivos específicos e clareza da importância deste trabalho como prática de leitura. Por outro lado, sabíamos que a leitura muitas vezes não era compartilhada em casa
pelos pais e familiares das crianças, o que reforçava nosso papel. Ler é direito de todos e a escola tem que fazer diferença é a que propicia às crianças o exercício desse direito. "



O saber prévio dos professores



Para iniciar o projeto fiz um levantamento das dúvidas que os professores tinham sobre ler histórias para crianças. Pude perceber que, apesar de conhecerem variados recursos para contar histórias, não faziam uso deles em sua prática.
Também não tinham interiorizado ato da leitura, dificultando o papel de bom modelo.


Por fim, não faziam uso de um ambiente propício para a leitura de histórias. Resumindo, não entendiam que a leitura precede a escrita, por isso era comum contarem histórias só para acalmar a sala, preencher o tempo vazio. Atividades, muitas vezes, deixada para o último momento, caso sobrasse tempo.
O interessante nesse tipo de levantamento é que muitas das ações que queria ajudar a transformar apareceram em forma de perguntas. Isso foi importante para tomarmos pé da realidade, permitindo-nos construir propostas com objetivos que podiam ser compartilhados.
A partir daí, elaborei um projeto para orientar meu trabalho com os professores, utilizando estratégias significativas para aproveitar bem nosso HTC2.





Projeto de formação dos professores





Conteúdo
• Leitura de histórias pelo professor



Objetivos com relação aos professores
• Que utilizem recursos variados em sua prática.
• Que interiorizem o hábito da leitura.
• Que conheçam o papel da leitura no processo de alfabetização das crianças.
• Que passem a organizar um ambiente mais propício para a roda de história.

Seqüência de propostas de trabalho



1. Fazer um levantamento de como os professores trabalham, em sala de aula, e listar suas principais dúvidas.
2. Propor aos professores que tragam para o encontro de HTC o registro de um momento em que tenham trabalhado história em sua sala. Trazer as reflexões para discutir com o grupo.
3. Combinar com os professores a filmagem dos momentos de leitura de história para análise com o grupo na reunião pedagógica.
4. Depois de analisar a prática, ler textos específicos, bem como o Referencial Curricular de Educação Infantil (MEC) para entender e justificar o trabalho com leitura.
5. Organizar momentos de leitura de textos literários para os professores.
6. Num outro encontro, depois das leituras e da análise dos vídeos, propor que os professores repensem aquelas atividades de leitura a fim de tornálas prazerosas e significativas para as crianças. Combinar com os professores uma nova filmagem das rodas de história.
7. Trazer as atividades filmadas para analisar e avaliar novamente com o grupo.
8. Voltar às perguntas iniciais para ver quais já conseguimos responder, sistematizando dessa forma os conhecimentos do grupo.
9. Levar os professores a uma livraria para que escolham livros para as crianças.





Primeira proposta de tematização da prática



Uma importante estratégia formativa utilizada por nós foi a tematização da prática: filmamos algumas rodas de história desenvolvidas pelas professoras de nosso próprio grupo para depois discutir, nas nossas reuniões, com toda a equipe.A primeira vez foi muito difícil. Como fiquei insegura! Tive muito receio de não orientar o momento com coerência, o que poderia comprometer a estratégia.
Assisti ao vídeo da professora com antecedência, discuti sobre ele com meu grupo de formação de orientadores pedagógicos e levei-o para a reunião com as professoras. O desenvolvimento das nossas reflexões se deu no coletivo o tempo todo.
Houve muito tato e respeito na hora da discussão. A primeira questão colocava o fato de a professora estar sempre sentada na cadeirinha durante a leitura, enquanto as crianças se sentavam no chão.
Algumas das professoras explicaram que isso facilitava a visualização das ilustrações.
Outras disseram nunca ter pensado a respeito: “Como pode! A gente faz as coisas e não percebe os fatos acontecendo na nossa frente!”, comentou uma delas.
Já a professora Fátima disse que se sentia incomodada com a situação das crianças estarem em nível diferente do dela. Por isso, as crianças de sua turma sentavam-se em cadeirinhas, como ela.
Como conclusão, chegamos ao consenso de que as crianças podem acompanhar a história olhando as ilustrações uma a uma, mas também é interessante mostrar as figuras só no final. Para isso é preciso combinar com as crianças e fazer valer este contrato.



O que não devemos fazer com as crianças



Dias depois, num outro H.T.C., planejei uma boa leitura para as professoras. Escolhi textos de uma antologia de Machado de Assis, partindo do pressuposto de que a leitura a ser partilhada com elas deveria atender ao princípio de apresentar algo de que eu própria gostasse muito.
A primeira crônica foi A Igreja do Diabo. Achei que ia abafar! Que engano! Foi um fiasco. Quando terminei a leitura, notei as feições das professoras. Parecia que não
haviam entendido nada! E eu, tão entretida que estava, entre as vozes diferenciadas de cada personagem e o vocabulário complexo do autor, nem percebi como estava o meu “público”. E o pior: quando me dei conta da situação, sabe o que eu fiz? Perguntei o que elas haviam entendido do texto e, em seguida, completei a história! É isso justamente o que não deve ser feito com as crianças! Foi tão inesperado que eu mesma fiquei sem jeito e caímos todas na risada, já que não dava para chorar. Que lição! Como é difícil a transposição da teoria para a prática. Posso dizer que senti na pele, pois, quando nos vemos perdidas em uma situação, a primeira coisa que fazemos é recorrer a conceitos que nos deixam mais seguras e com os pés no chão.


Agora sim, como devemos ler para as crianças?



Num outro dia, tematizamos as atividades das professoras Beth, Regina e Cláudia .Após assistirem aos vídeos, as professoras foram divididas em dois grupos com a proposta de refletirem sobre as questões. Depois cada grupo expôs suas conclusões.
Observando a roda de histórias com as crianças, pensamos em nós mesmos como leitores. Foi interessante notar que nós, adultos, muitas vezes deixamos passar despercebidas palavras desconhecidas, pois podemos entendê-las dentro de um contexto. Então, por que deveríamos explicar as palavras difíceis para as crianças, como víamos no vídeo? Se elas se interessarem vão perguntar. Não vão deixar de entender a história por causa de algumas palavras.
Quanto à postura do professor, ficou ainda mais claro o que já sabíamos: é importante que ele seja um bom modelo pois na hora de contar suas histórias as crianças reproduzem suas atitudes.
Tiramos conclusões como: “quando estivermos lendo, devemos ser fieis à escrita, caso contrário, é preferível contar, pois podemos passar uma idéia equivocada do que é ler.



"Contar é diferente de ler.”?



Pude perceber, ao final, como mexemos com tantas questões em tão pouco tempo, graças à tematização de atividades gravadas. O olhar voltado para a prática é sem dúvida a melhor estratégia para a transformação.
Combinei, por fim, a montagem de uma biblioteca circulante formada por livros trazidos por todos nós. Seriam escolhidos a dedo, ou porque gostamos muito ou porque nos marcaram em alguma época.
Quem quisesse ler um daqueles títulos poderia emprestar para levar para casa.



A escolha e a preparação da leitura



Achei que deveria repensar o repertório para aprofundar nossa discussão.A leitura dos textos do livro Bobeiras e Gostosuras da Fanny Abramovich, que se referia à importância das histórias, veio a calhar, esclarecendo muitas das dúvidas que tínhamos, como por exemplo a importância de o livro ser lido antes de apresentá-lo às crianças.
Os professores já tinham vivenciado situações desagradáveis, como começar uma leitura e perceber tarde demais que lhe faltava o final da história.
O ponto em que o texto foi bastante crítico é o que dizia respeito ao fato de o professor poder contar todo tipo de histórias para crianças menores, caindo por terra a idéia de que para elas precisamos escolher histórias curtas.
Criar uma atmosfera de envolvimento e encantamento também apareceu como um ponto fundamental para propiciar o clima a ser compartilhado entre professora e alunos.



Leitura de textos literários e técnicos



Continuando as sessões de leitura, apresentei a crônica Onde já se viu? do livro Olhos de Ver da Tatiana Belinky, onde ela retrata uma passagem sua com uma criança de rua
que entra na livraria em que ela está e lhe pede para comprar um livro. Desta vez acertei! As professoras entraram na história! Posso dizer que estou realizada com a parte de leitura em meu horário de estudo, principalmente por estar sentindo a emoção e o envolvimento das professoras.
Em contrapartida, a leitura do texto Interpretação, Intérpretes e Interpretantes, de Emília Ferreiro, foi de extrema dificuldade para o grupo todo.
Quando chegou nas terminologias que deram origem ao título, foi uma polêmica só.
Depois de muito diálogo, chegamos a um consenso: entendemos por interpretação aquilo que o sujeito faz ao ler. Quando faz para outra pessoa, como fazemos para as crianças, passa a ser interpretante. Este texto nos trouxe uma afirmação coerente e interessante, que coloca a linguagem que se fala não como uma forma deformada da escrita, mas como um dos aspectos da linguagem.
O texto de Isabel Solé A leitura na Escola, lido num outro encontro de H.T.C., foi muito agradável. Quando chegamos no ponto em que ela fala dos analfabetos funcionais, nos lembramos do texto Interpretação, Intérpretes e Interpretantes, pois foi exatamente como nos sentimos quando o lemos.
Em continuação aos textos de Isabel Solé, abordamos os tipos de textos que existem e para que serve cada um.
Não tínhamos clareza das diferenças, por isso nossas intervenções nem sempre respondiam à especificidade dos textos.Veio à baila principalmente a situação do trabalho com poemas. Nos perguntamos como podemos, por exemplo, pedir que alguém explique o que um poeta quis dizer? Poesia se aprecia ou se explica? Deu para clarear!





Sistematização de conhecimentos



Passamos por mudanças pessoais e profissionais nesse período.
Principalmente quanto à valorização dos livros e mudança da disposição dos mesmos em sala de aula, de forma a favorecer o manuseio pelas crianças.
Também decidimos incluir e valorizar a roda de história como atividade permanente porque entendemos que, se a leitura precede a escrita, esta deve ser uma prática diária, com objetivos claros e definidos dentro do planejamento do professor.
Todas essas transformações ocorreram porque o grupo estava aberto para que acontecessem, havendo um envolvimento muito grande de todos.Talvez até pelo fato do recorte ser tão fascinante.Ao final de nossas discussões pudemos retornar a nossas dúvidas iniciais.
Obtivemos um bom levantamento, que resume o que pudemos aprender sobre rodas de leitura.



Finalização do projeto
Como encerramento do nosso projeto de trabalho com histórias fomos a uma grande
livraria.A proposta era que cada professor escolhesse um livro para a escola comprar.
Foi uma vivência especial colocarmos em prática o muito do que aprendemos nesse
período, apesar de ter-se tornado torturante podermos escolher apenas um único livro.



ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS PARA LEITURA


As crianças e os livros


Realidade e fantasia fazem parte do universo infantil, e propiciar momentos em que as crianças os vivenciem dentro da escola é papel do educador.
A criança vai saber diferenciar os dois mundos com o passar do tempo. O que não podemos é tirar a fantasia do mundo da criança, porque a realidade ela já tem.
Ao ler histórias ajudamos a ampliar o vocabulário, a imaginação, abrimos as portas do mundo e mostramos que através da leitura podemos conhecer o universo. O principal é que possamos apresentar a leitura como um prazer a ser desfrutado por todos nós.


Regularidade da leitura para crianças


A hora da história deve ser uma atividade permanente em sala de aula, visto o que podemos alcançar quando temos os objetivos claros.
A hora da história deve acontecer coletivamente ou em pequenos grupos, quando o professor for solicitado para isso.


Seleção de livros


Para analisar uma história devemos usar todo o tempo disponível, bem como abrir um espaço no H.T.C. para essa atividade. Devemos ser criteriosos na escolha dos livros para leitura, verificando o conteúdo, os valores que são passados, bem como as ilustrações que o acompanham, e principalmente gostar do que se vai ler para as crianças. Para comprar livros devemos levar em conta todos esses critérios.


Leitura pelo professor


A leitura deve ser fiel ao texto escrito, não devemos fazer simplificações ou misturar ler com contar histórias. A criança deve aprender que a escrita é permanente: toda vez que o professor ler aquele livro, o estará fazendo com as mesmas palavras, o que não acontece quando se conta uma história.
Conhecer o autor e o ilustrador do texto é muito importante e deve acontecer sempre, porque além da valorização profissional a criança passa a identificar e conhecer o estilo de determinados autores.
No que se refere a mostrar as figuras antes ou após a leitura é um contrato a ser feito com as crianças, no qual o mais importante é respeitá-las, pois, as duas maneiras atingem objetivos específicos.
Não devemos ter olhos para uma única interpretação possível de uma história, pois as crianças podem ter um olhar diferente. Este olhar não deve ser interpretado como equivocado.
As crianças devem ter a liberdade, caso não queiram ouvir a história, de desenvolver outra atividade.
A obrigatoriedade corresponde à mesma situação de ler um livro de que não se gosta.
Não precisamos explicar o significado das palavras para as crianças, a não ser que elas perguntem, pois a criança entende dentro de um contexto, e as palavras que achamos ser difíceis para elas passam a fazer parte de seu vocabulário interno.
Quando sentamos para ouvir uma história dias atrás,houve a proposta que partiu deles para que, ao invés da professora,um deles contasse a história.Achei uma proposta válida.
Quando alguma criança se prontifica a contar, tem a liberdade de fazê-lo para o grupo.
Nos momentos livres também, as crianças se reúnem em grupo de três ou quatro e uma conta a história.
Estas propostas, na minha opinião, surgiram pela maneira como venho trabalhando a hora da história, com mais freqüência e mais prazer.
Ao escolher um livro de história para contar, procuro na maioria das vezes saber o que diz o texto, no que ele contribui para as crianças. Apresento histórias na quais possam viajar na imaginação e também conhecer mais sobre algum assunto que tenha relação com seu cotidiano, sem tirar o encanto das histórias, pois a meu ver a hora da história tem que ser um momento gostoso e prazeroso.


Ficha técnica:
O projeto Leitura pelo Professor foi realizado em três escolas municipais de São José dos Campos – EMEI Profª Norma Lucia Rodrigues de Almeida, EMEI Galo Branco e NEI Freitinhas –, e dele participaram 16 professoras com apoio da equipe diretora.