sábado, 10 de setembro de 2011

PARA GOSTAR DE LER... CRÔNICA

DA UTILIDADE DOS ANIMAIS
Carlos Drummond de Andrade


Terceiro dia de aula. A professora é um amor. Na sala, estampas coloridas mostram animais de todos os feitios. É preciso querer bem a eles, diz a professora, com um sorriso que envolve toda a fauna, protegendo-a. Eles têm direito à vida, como nós, e além disso são muito úteis. Quem não sabe que o cachorro é o maior amigo da gente? Cachorro faz muita falta. Mas não é só ele não. A galinha, o peixe, a vaca… Todos ajudam.
- Aquele cabeludo ali, professora, também ajuda?
- Aquele? É o iaque, um boi da Ásia Central. Aquele serve de montaria e de burro de carga. Do pêlo se fazem perucas bacanas. E a carne, dizem que é gostosa.
- Mas se serve de montaria, como é que a gente vai comer ele?
- Bem, primeiro serve para uma coisa, depois para outra. Vamos adiante. Este é o texugo. Se vocês quiserem pintar a parede do quarto, escolham pincel de texugo. Parece que é ótimo.
- Ele faz pincel, professora?
- Quem, o texugo? Não, só fornece o pêlo. Para pincel de barba também, que o Arturzinho vai usar quando crescer.
Arturzinho objetou que pretende usar barbeador elétrico. Além do mais, não gostaria de pelar o texugo, uma vez que devemos gostar dele, mas a professora já explicava a utilidade do canguru:
- Bolsas, mala, maletas, tudo isso o couro do canguru dá pra gente. Não falando da carne. Canguru é utilíssimo.
- Vivo, fessora?
- A vicunha, que vocês estão vendo aí, produz… produz é maneira de dizer, ela fornece, ou por outra, com o pêlo dela nós preparamos ponchos, mantas, cobertores, etc.
- Depois a gente come a vicunha, né fessora?
- Daniel, não é preciso comer todos os animais. Basta retirar a lã da vicunha, que torna a crescer…
- A gente torna a corta? Ela não tem sossego, tadinha.
- Vejam agora como a zebra é camarada. Trabalha no circo, e seu couro listrado serve para forro de cadeira, de almofada e para tapete. Também se aproveita a carne, sabem?
- A carne também é listrada?- pergunta que desencadeia riso geral.
- Não riam da Betty, ela é uma garota que quer saber direito as coisas. Querida, eu nunca vi carne de zebra no açougue, mas posso garantir que não é listrada. Se fosse, não deixaria de ser comestível por causa disto. Ah, o pingüim? Este vocês já conhecem da praia do Leblon, onde costuma aparecer, trazido pela correnteza. Pensam que só serve para brincar? Estão enganados. Vocês devem respeitar o bichinho. O excremento – não sabem o que é? O cocô do pingüim é um adubo maravilhoso: guano, rico em nitrato. O óleo feito da gordura do pingüim…
- A senhora disse que a gente deve respeitar.
- Claro. Mas o óleo é bom.
- Do javali, professora, duvido que a gente lucre alguma coisa.
- Pois lucra. O pêlo dá escovas é de ótima qualidade.
- E o castor?
- Pois quando voltar a moda do chapéu para os homens, o castor vai prestar muito serviço. Aliás, já presta, com a pele usada para agasalhos. É o que se pode chamar de um bom exemplo.
- Eu, hem?
- Dos chifres do rinoceronte, Belá, você pode encomendar um vaso raro para o living da sua casa.
Do couro da girafa Luís Gabriel pode tirar um escudo de verdade, deixando os pêlos da cauda para Tereza fazer um bracelete genial. A tartaruga-marinha, meu Deus, é de uma utilidade que vocês não cauculam. Comem-se os ovos e toma-se a sopa: uma de-lí-cia. O casco serve para fabricar pentes, cigarreiras, tanta coisa. O biguá é engraçado.
- Engraçado, como?
- Apanha peixe pra gente.
- Apanha e entrega, professora?
- Não é bem assim. Você bota um anel no pescoço dele, e o biguá pega o peixe mas não pode engolir. Então você tira o peixe da goela do biguá.
- Bobo que ele é.
- Não. É útil. Ai de nós se não fossem os animais que nos ajudam de todas as maneiras. Por isso que eu digo: devemos amar os animais, e não maltratá-los de jeito nenhum. Entendeu, Ricardo?
- Entendi, a gente deve amar, respeitar, pelar e comer os animais, e aproveitar bem o pêlo, o couro e os ossos.
(Texto extraído de Drummond, Carlos de. De notícias e não notícias faz-se a crônica. Rio de Janeiro, José Olympio, 1975)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

FOLCLORE - ALGUMAS IDEIAS...

Para quem está em busca de atividades sobre o Folclore para serem trabalhadas em sala de aula, segue o link de alguns posts antigos sobre o assunto...




* Fichas de leitura - Lendas



* Atividade de Leitura (alfabetização)



* Atividades Sequenciadas

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

PROJETO - SESSÕES SIMULTÂNEAS DE LEITURA DE CONTOS


1. Justificativa
Participar de uma comunidade de leitores, escolhendo leituras a realizar, comentando o que leu, indicando livros, compartilhando dúvidas, preferências e impressões, é essencial para a formação de novos leitores. Esse projeto apresenta um contexto extremamente favorável para a construção dessas práticas. Para a escola, ele é um instrumento valioso porque valoriza o papel dos professores enquanto leitores-modelo para as crianças, cria um ambiente de troca e construção de saberes entre seu corpo docente e faz que a escola se constitua, de maneira mais ampla, numa comunidade de leitores de literatura.
As crianças têm a oportunidade de escolher a história que vão ouvir segundo suas preferências literárias e não como de costume, pelo voto da maioria ou escolha pelo professor. O painel com as resenhas dos livros da sessão “divulga” o acervo da biblioteca e da escola, ampliando o repertório das crianças. O fato das sessões de leitura acontecerem simultaneamente promove o envolvimento de toda a equipe de professores, pois cada um oferecerá uma leitura diferente no mesmo horário da rotina.


2. Objetivos e conteúdos



Objetivos:
• Ter prazer em escutar a leitura em voz alta;
• Fazer antecipações sobre a história;
• Compartilhar o efeito que a leitura de um conto produz;
• Trocar opiniões e discutir interpretações sobre aspectos do conto lido/ouvido;
• Voltar ao texto para esclarecer interpretações, tirar dúvidas ou para apreciar novamente um trecho do qual se gostou especialmente;
• Trocar informações sobre o autor, ilustrador e contexto do conto;
• Recomendar leituras fundamentando sua escolha; e
• Evocar outros textos a partir do escutado.
Conteúdos:
• Critérios de escolha e de indicação de contos;
• Leitura como fonte de prazer e entretenimento; e
• Intercâmbio entre leitores.


3. Público
Esse é um projeto que pode ser realizado com a Educação Infantil ou Ensino Fundamental I.

4. Prazo e estrutura
Esse projeto institucional de leitura pode ser realizado em um mês de atividades, com o planejamento dividido da seguinte forma:
• A primeira semana deve ser de do professor para escolha dos livros que estarão disponíveis na sessão, produção de uma resenha e socialização com a equipe docente;
• Deve-se então programar um dia para realização da primeira sessão (leitura dos livros) e, também, a repetição de outras sessões por mais três semanas consecutivas.
Para realizar as atividades é preciso providenciar os seguintes materiais: os contos escolhidos para as sessões de leitura e um mural com a “propaganda” das sessões de leitura.
Para o mural recomendamos que este contenha uma reprodução das capas dos livros que deve ser acompanhada de resenha e espaço para as inscrições, uma lista de nome das crianças.



5. Etapas de desenvolvimento
São duas as etapas principais do desenvolvimento: planejamento das sessões de leitura e implementação das sessões de leitura.


5.1. Planejamento das sessões de leitura
Primeira etapa
O projeto se inicia com a seleção, por parte de cada professor, do conto que será lido por ele nas “Sessões de Leitura”. Para fazer essa escolha é importante prezar pela qualidade literária – deve ser um conto bem escrito, encantador para os ouvintes – e com certo grau de novidade – um novo livro de um autor/coleção conhecido e apreciado pelas crianças, um novo livro de um tema apreciado, etc. As sessões de leitura são, também, um ótimo momento para apresentar novas aquisições da biblioteca da escola.
Segunda etapa
Nesse momento, deve-se planejar como será feita a apresentação dessa leitura às crianças e de questões que podem alimentar o intercâmbio após a leitura: é importante que o professor, uma vez tendo seu conto escolhido, procure saber mais sobre o autor, coleção ou curiosidades sobre o livro/tema em questão, para o momento de apresentar essa leitura para as crianças. É importante, também, antecipar boas questões, que despertem a curiosidade, para antes da leitura, e boas questões que levem ao compartilhar de idéias e reflexões, para iniciar a conversa após a leitura.
Terceira etapa
Etapa de discussão das propostas no coletivo de professores: nesse momento cada professor apresenta sua proposta de leitura e trocam-se idéias para aperfeiçoá-las.
Quarta etapa
Essa etapa é de montagem do mural com as propostas de leitura. Esse mural deve conter uma cópia da capa de cada livro que será lido sem se preocupar em identificar que professor lerá o livro. No mural deve-se colocar uma resenha de cada um dos livros que serão lidos para ajudar os alunos a escolher a sessão em que participarão.
No mural deve haver espaço para as crianças escreverem seus nomes em uma lista de inscrições para cada uma das sessões.



5.2. Implementação das sessões de leitura
Primeira etapa
Apresentação dos livros da SSL. Cada professor compartilha com sua sala as propostas de leitura, lendo as resenhas com as crianças e conversando sobre as expectativas delas acerca de cada conto. (Não se deve identificar o professor que lerá cada conto, pois isso cria outros critérios de escolha: as crianças não escolhem uma obra literária, mas um leitor conhecido, e, principalmente os menores, tendem a escolher o próprio professor, perdendo-se o potencial desse projeto que é criar uma comunidade maior de leitores, além do grupo classe).
Segunda etapa
As crianças são instruídas a inscrevem-se para a sessão de leitura. Os professores devem ler ou ajudá-las a ler as resenhas e as crianças devem escolher a história que querem ouvir.
As crianças, então, anotam seus nomes na ficha de inscrição do livro que querem conhecer.
Terceira etapa
Depois de inscritas, as crianças são direcionadas para os locais das sessões escolhidas por elas.
No dia das sessões, o professor orienta seus alunos para qual sala se dirigir e se prepara para receber o público da leitura que escolheu.
Quarta etapa
Essa é a etapa das rodas de leitura. Nas sessões de leitura, cada professor apresenta o conto escolhido de forma a gerar suspense e interesse
Primeiro apresenta-se brevemente o autor. Depois o ilustrador e a coleção... O professor, então, faz questões que levem as crianças a fazer antecipações (levantar hipóteses) sobre a história.
Faz-se, por fim, a leitura do conto. Após a leitura, o professor conversa com as crianças sobre as antecipações que fizeram, sobre a história e cria, também, um espaço para que troquem opiniões
e impressões sobre o enredo, os personagens, etc.
Quinta etapa
Esse é o momento de intercâmbio entre leitores: quando as crianças retornam para suas salas, o professor cria um espaço de intercâmbio para que as crianças, vindas de diferentes sessões, possam contar sobre as leituras que escutaram.
É fundamental estabelecer com as crianças a regra de não contar o final.
As crianças, depois de comentarem suas sessões, fazem indicações da sessão de leitura de que participaram para seus colegas – exemplos: “é uma história que a gente sente uma pontinha de medo”, “é uma história muito engraçada”, “eu adorei o personagem principal, ele é...”.
Sexta etapa
Essa penúltima etapa é de repetição das sessões. Recomendamos que as sessões se repetissem pelo menos mais duas vezes, em intervalos semanais ou quinzenais.
Antes da nova sessão há uma nova apresentação das resenhas dos livros escolhidos e como já se está na segunda ou na terceira vez, as crianças podem ajudar nessa apresentação, pois já conhecem as obras.
Há, então, uma nova escolha do conto que ouvirão um professor ler e nova fase de inscrições.
Sétima etapa
Esta etapa vem imediatamente depois das rodadas de leitura dos livros selecionados e tratase do planejamento de novas sessões simultâneas.
Para isso, os professores discutem as leituras que fizeram que tenham resultado em um maior “sucesso” e também as intervenções que foram boas para “animar” a discussão. Devem-se trocar ideias ou sugestões para inspirar as novas escolhas de contos.



6. Avaliação
A cada Sessão Simultânea de Leitura é importante avaliar o projeto, seu planejamento e também sua implementação, considerando-se, principalmente:
• o acompanhamento dos avanços das crianças com relação aos objetivos do projeto;
• o planejamento de intervenções individualizadas e/ou replanejamento; e
• o reajuste das etapas do projeto em função desse processo.


* fonte: Cardápio de Projetos, Fundação Victor Civita 2011

EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

ATIVIDADES PARA EDUCAÇÃO INFANTIL


por Gilson Brun


A Educação Física na Educação Infantil pode ter um papel importantíssimo no desenvolvimento das crianças, organizando um ambiente adequado e dando oportunidade para que tenham experiências positivas que lhes proporcionem um crescimento sadio e o desenvolvimento de várias habilidades.
Como as crianças dessa idade estão em um acelerado processo de desenvolvimento, devemos nos preocupar em realizar atividades que as ajudem a adquirir os padrões fundamentais do movimento, que estão assim divididos: locomoção, manipulação e equilíbrio.
Os padrões de locomoção permitem a exploração de todo o ambiente e incluem atividades como andar, correr, saltar e suas variações, além de todos os movimentos que deslocam o corpo no espaço.
Os padrões de manipulação envolvem o relacionamento do indivíduo com os objetos que estão à sua volta. Podemos dividi-los em dois tipos de ações: no primeiro, o objeto aproxima-se do corpo da pessoa, e esta deve interromper a sua trajetória. No segundo, o objeto deve ser afastado do corpo da pessoa, com o auxílio do próprio corpo ou com a utilização de outro objeto. Estão incluídos nesse grupo atividades como receber, pegar, arremessar, rebater, chutar, entre outras.
Os padrões de equilíbrio permitem às pessoas manter a postura do corpo no espaço e estão relacionados com as forças que a gravidade exerce sobre o corpo. Embora as suas posições sejam estáticas, esses padrões são importantes para os padrões de locomoção e manipulação, porque o equilíbrio auxilia na coordenação do movimento durante uma ação. Como exemplos de padrões de equilíbrio, podemos citar ficar em pé, sentar, equilibrar-se, etc.
Os padrões de movimento não são inatos, mas sim adquiridos com o tempo e a vivência. Esse processo inicia-se em casa, nas brincadeiras realizadas no dia-a-dia e, portanto, a criança chega à escola dominando-os parcialmente.
Para que ela possa se aperfeiçoar, as aulas realizadas na Educação Infantil devem buscar o desenvolvimento desses padrões através de jogos e brincadeiras que envolvam os movimentos fundamentais. É importante salientar que a aceleração do processo de aprendizagem de um movimento básico (desenvolvimento precoce) pode causar insucessos futuros. Deve-se respeitar os limites das crianças e jamais forçá-las a fazer alguma atividade sem que estejam preparadas para isso.
Com a estimulação dos padrões fundamentais do movimento, podemos desenvolver as habilidades motoras de cada criança e, através de jogos e brincadeiras que envolvam todos os alunos, desenvolver, também, as suas habilidades sociais. Afinal, não devemos ter somente a preocupação de desenvolver os aspectos físicos de nossos alunos, mas também ensiná-los a viver em sociedade. Dessa maneira, podemos dar uma enorme contribuição para o desenvolvimento global das crianças.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

DICA LITERÁRIA

Para quem, assim como eu, amou o livro "O Carteiro chegou", vai simplesmente adorar esse novo livro, dos mesmos autores. Super recomendo!!!


Quem não conhece o livro, confira sinopse e sugestões de atividades aqui: http://alfabetizacaoecia.blogspot.com/2010/03/sugestoes-de-atividades-livro-o.html


O NATAL DO CARTEIRO

Janet & Allan Ahlberg
Ed. Cia das Letrinhas

Sinopse:

O carteiro está cheio de trabalho: chegou a época de Natal e tem tanta carta para entregar. A menina de cachinhos dourados envia um postal para os três ursinhos. A Chapeuzinho Vermelho recebe um jogo do Lobo Mau (que jura ser bonzinho agora). O Humpty-Dumpty ganha um quebra-cabeças. A Padaria Bom Pão manda um livrinho cheio de brincadeiras para o Homem-Biscoito. E só para o Papai Noel, são mais de mil cartinhas. Ufa! Mas e como é o Natal do carteiro? Descubra neste livro que tem várias brincadeiras “acopladas”.

terça-feira, 26 de julho de 2011

PROJETO: POEMAS PARA BRINCAR, RECITAR, OUVIR E SE DELICIAR

1. Justificativa


É essencial para a formação do bebê ouvir diversas histórias, leituras, poesias,
músicas, parlendas e manusear livros. Este é o princípio para ser um leitor – e ser um leitor é
ter um caminho absolutamente infinito de descobertas e compreensão do mundo”.
Ana Araújo e Silva



O prazer em ouvir histórias, poesias, músicas, parlendas e a curiosidade em ler devem ser despertados desde cedo. Qualquer instituição educativa tem um papel importantíssimo nessa tarefa, pois nela ocorrem situações planejadas de encontro com diferentes tipos de texto, nela as crianças convivem com leitores e partilham do prazer que a literatura oferece.
Esse projeto pretende possibilitar às crianças situações ricas de encontros com poemas (e também músicas e parlendas). A escolha do poema enquanto gênero a ser explorado se deve ao fascínio que a sonoridade, a cadência, e as sensações despertadas pela escuta de poemas exercem nos pequenos. As crianças, desde bem pequenas, assim que aprendem a falar, já brincam com as palavras para dar-lhes sentido, apreciam a repetição de sons parecidos (como as rimas) e a musicalidade das palavras.
Outro aspecto importante para a escolha desse gênero é que sua estrutura, muitas vezes em estrofes, e as rimas e repetições que comumente apresentam, facilitam a memorização, fazendo com que as crianças logo as saibam de cor.
Além do que, a escuta e a apreciação de poemas entre os pequenos permite que eles se aproximem de uma linguagem literária de qualidade, já que repleta de significado.



2. Objetivos e conteúdos
São objetivos e conteúdos desse projeto:
Objetivos:
• Que as crianças possam ouvir poemas de qualidade, construir um repertório de poemas escutados, compartilhando com educadores e demais crianças os efeitos prazerosos dessa escuta, e assim, possam avançar na sua formação como leitores;
• Que as crianças maiores tenham oportunidade de desenvolverem comportamentos leitor como comentar os poemas que mais apreciaram e recitá-los quando desejarem; e
• Que todos tenham contato com poemas escritos (em livros, varais de poemas, fichas etc.) e possam acompanhar os procedimentos de adultos ao lê-los e construir suas primeiras preferências.
Conteúdos:
• Leitura como uma fonte de prazer e entretenimento;
• Intercâmbio entre leitores;
• Preferências leitoras; e
• Poemas.



3. Público
O projeto Poemas para brincar, recitar, ouvir e se deliciar foi elaborado para crianças de 01 a 03 anos de idade.



4. Prazo e estrutura
O projeto foi elaborado para ser reproduzido em 03 meses de atividades.
Para a execução é necessário que estejam disponíveis os seguintes materiais: vários livros de poemas, além de CDs com poemas gravados.
Ao final do projeto, será organizado um CD ou DVD com a gravação dos poemas preferidos da turma, declamados pelas próprias crianças.



5. Etapas de desenvolvimento
Primeira Etapa
O projeto tem início com a implementação de duas atividades permanentes de leitura para os bebês: a leitura em voz alta de poemas realizada diariamente pelo professor e uma roda semanal de leitura de poemas.
Para realizar a leitura em voz alta de poemas é essencial que o professor se prepare previamente, selecionando um poema de qualidade que queira compartilhar com sua turma e preparando sua leitura em voz alta, lendo e relendo o poema e pensando na entonação adequada.
No momento da leitura, é importante que ele apresente brevemente algo sobre o poema que será lido – por que foi escolhido pelo professor, quem é o autor, qual o livro, de que tema trata etc. – , abrindo o livro na página do poema selecionado para essa aula. Ele deve, então, ler o poema em voz alta para as crianças, procurando observar a reação delas à leitura. Depois da leitura, deve-se reservar um momento para a troca de impressões sobre ela, pois esse é um espaço essencial para a formação de leitores. Para isso, o professor pode comentar sobre o poema, retomando a apresentação inicial que foi feita, pode perguntar as crianças do que elas mais gostaram, retomando algumas reações (gestos, balbucios, palavras que os bebês foram fazendo/dizendo ao longo da leitura), pode-se reler as partes do poema que despertaram maiores reações nos pequenos.
Semanalmente, o professor planeja, também, uma Roda de Biblioteca dedicada aos livros de poemas. Para isso ele deve selecionar os livros da biblioteca da escola, ou da classe, que serão apresentados às crianças. É importante incluir os livros dos poemas lidos durante a semana e livros de poemas que façam parte da biblioteca da escola ou da classe.
No momento da roda, o professor organiza seus alunos sentados em círculo, e vai apresentando, brevemente, um a um, os livros que farão parte da roda (ex: “esse livro vocês já conhecem: é o Arca de Noé, de Vinicius de Moraes, nós lemos um poema dele, lembram? A foca...”, “esse é um livros de poemas que a gente ainda não leu, chama-se Bem-te-vi, é os autores são o Lalau e a Laurabeatriz...” etc.), cada livro apresentado vai sendo colocado no centro da roda, ao final, o professor convida seus alunos a explorar os livros, folheando, olhando as ilustrações. O professor circula entre os alunos durante essa exploração, lendo para eles o titulo do livro que eles escolheram (“Ah, você escolheu Brasileirinhos”), lendo trechos de poemas para eles e ajudando-os nos cuidados de preservação dos livros.
Segunda Etapa
Uma vez que as atividades permanentes de leitura de poemas estejam integradas no cotidiano da classe, é hora de começar a identificar preferências e criar o repertório de poemas preferido pela classe.
Uma vez por semana, o professor deve organizar uma roda de conversa para falar com as crianças sobre o poema preferido, aquele que fez mais sucesso, foi mais relido a pedido dos alunos... Esse poema, por ser tão querido pela turma, vai ser parte do varal de poemas da classe.
O varal de poemas é uma corda, afixada ao longo das paredes da sala, à altura dos olhos das crianças, em que são pendurados, com pregadores, poemas para apreciação. No caso desse projeto, o varal de poemas tem o intuito de reunir os poemas preferidos dos alunos.
É importante que o professor compartilhe com seus alunos o processo de escrita do poema, registrando em letra bastão o poema preferido da semana, numa cartolina, falando o poema à medida que escreve, com as crianças à sua volta.
A ilustração do poema é um processo que pode e deve ser compartilhado com os alunos.
Então, é importante planejar, também, de que forma isso será feito.
Com o poema escrito e ilustrado em mãos, é hora de pendurá-lo no varal.
Essa atividade deve ser repetida semanalmente.
Os poemas que fazem parte do varal devem ser explorados pelo professor, pelo menos uma vez por semana, também, numa atividade em que este convida seus alunos a rever os poemas que estão ali reunidos e recitá-los coletivamente (“Vocês lembram que nós colocamos o poema Havia
menino, do Fernando Pessoa, aqui no nosso varal? Vocês lembram como era esse poema? Vamos dizer juntos?”)
Terceira etapa
Uma vez que a sala tenha construído um repertório de poemas preferidos – em bem conhecidos, já que fazem parte do varal de poemas da turma – deve-se compartilhar com elas a ideia de montar um CD ou um DVD com esses poemas para presentear os pais, para todo mundo ter emcasa, etc. (é importante definir com as crianças quem será o destinatário do CD ou DVD).
Para isso, durante alguns dias, o professor relê os poemas do varal com seus alunos. Depois, pergunta se eles conseguem dizer sozinhos os poemas e grava a fala deles. Para isso, pode usar gravadores de voz, softwares com essa função disponíveis na internet ou no computador da escola, filmadoras etc.
Quarta etapa
Nessa etapa é feita a produção do encarte com a letra dos poemas gravados, ilustrações produzidas pelas crianças, informações sobre autor e livro no qual eles se encontram, informações sobre os autores do CD/DVD: dados da classe e das crianças, um pouco da história do projeto.
Para isso algumas decisões são importantes:
*Digitar os poemas e incluir novas ilustrações das crianças ou digitalizar (scanner) os poemas escritos e ilustrados para o varal?
*O professor escreve, por si só, um pouco da história do projeto para a apresentação do encarte ou compartilha essa escrita com as crianças?
*Haverá encartes “personalizados”, com ilustrações de uma só criança, ou um encarte único, copiado para todos?
Terminado o encarte, é só planejar como será o lançamento do CD/DVD.
6. Avaliação
É fundamental que o projeto seja constantemente avaliado e para nortear essa rotina recomendamos as seguintes observações quanto ao andamento: acompanhamento dos avanços das crianças com relação aos objetivos do projeto; planejamento de intervenções individualizadas e/ou replanejamento; e reajuste das etapas do projeto em função desse processo.


* fonte: Projeto Entorno - Cardápio de Projetos / Fundação Victor Civita 2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

PROJETO - CIRANDA LITERÁRIA

Ciranda Literária: troca de indicações literárias entre crianças de uma mesma faixa-etária


1. Justificativa
Quando assistimos a um filme que nos encanta, emociona, diverte, compartilhamos com os outros estes sentimentos e tentamos convencê-los que vale a pena também viver esta experiência.
O mesmo acontece quando lemos um livro, certas narrativas nos são tão significativas, que nos fazem indicá-las para outras pessoas e convidá-las a fazer a leitura.
Com as crianças isso não é diferente, à medida que se envolvem num contexto intenso de leituras, gostam de ouvir novamente as mesmas histórias, de solicitar outras, com temas de bruxas, fadas, etc., e também apreciam compartilhar na escola ou em outros lugares, as leituras que lhe chamaram mais a atenção.
Para que isso seja vivido com mais intensidade, grupos (de próxima faixa-etária) de uma mesma escola ou salas de diferentes instituições podem fazer uma parceria indicando leituras preferidas umas para as outras. Caso as crianças não escrevam convencionalmente, podem ser produzidos textos orais com destino escrito.



2. Objetivos e conteúdos
Os objetivos e conteúdos da Ciranda Literária são apresentados no quadro abaixo:
Objetivos:
• Fomentar o gosto pela leitura por meio da indicação dos livros preferidos;
• Discutir com as crianças as características de um texto de indicação literária;
• Produzir resenhas de indicação literária para serem trocadas entre grupos de faixas etárias aproximadas;
• Compartilhar as resenhas produzidas pelos grupos; e
• Promover um encontro entre as duas salas ou duas instituições para trocas de livros.



Conteúdos:
• Práticas de indicação literária;
• Resenhas; e
• Produção textual (produção oral com destino escrito).




3. Público
Esse é um projeto que pode ser realizado com a Educação Infantil ou com os anos iniciais do Ensino Fundamental. Aqui, ele teve o nível de desafio ajustado para crianças da Educação Infantil, portanto, o único cuidado antes de realizá-lo com crianças do Ensino Fundamental é adequar o nível de desafio para o que é ideal para esses alunos.



4. Prazo e estrutura
A Ciranda Literária tem prazo estimado de 03 a 04 meses entre planejamento e execução.
Para desenvolvê-lo são necessários: catálogos de editoras, livros literários, lápis, lápis de cor, giz de cêra e papéis variados.
Sem o comprometimento da equipe de professores, coordenadores e diretores o projeto não terá os resultados esperados, por isso, é importante programar reuniões de trabalho e planejamento, bem como de monitoramento e avaliação das etapas neste intervalo de tempo.
Além destas etapas, é preciso preparar no calendário momentos em que as etapas abaixo sejam desenvolvidas.
É importante lembrar que estudar o acervo disponível para a escola precisa, de alguma forma, ser complementado para otimizar a experiência proposta.




5. Etapas de desenvolvimento
Primeira etapa
O primeiro momento é o da roda de conversa com as crianças, ou seja, dasocialização da proposta de escrita de indicações literárias com as crianças. Nesse encontro deve-se anunciar que o grupo de alunos fará o levantamento de todas as histórias que foram lidas pelo professor e que, depois, escolherá as que mais foram interessantes para que as crianças de outro grupo também leiam.
Deve-se deixar que as crianças mesmas lembrem-se dos títulos, de partes das narrativas e que algumas justifiquem o porquê das escolhas.
É importante que o professor registre previamente por escrito a presença das crianças nos dias de leitura, a lista dos títulos escolhidos pata leitura e, depois, quais os livros que os alunos mais gostaram. Essa lista de títulos deve ser afixada na sala para que as crianças escolham aproximadamente cinco títulos para serem indicados para o outro grupo.



Segunda etapa
Nessa etapa, é preciso dividir as crianças em grupos e distribuir catálogos de várias editoras de livros infantis para que tentem antecipar como são os textos que constam nestes materiais. Se o grupo já tiver crianças alfabetizadas, garantir pelo menos uma em cada agrupamento para que leiam por si mesmas tais textos e depois a professora compartilha com todos. Caso contrário, a
professora lê os textos para toda sala que cada grupo escolheu a partir das imagens que constam nestes catálogos.
É importante que o professor escolha uma resenha de um livro já conhecido pelo grupo e realizar a leitura.
Após ler vários textos destes catálogos, devem-se realizar os seguintes encaminhamentos:
1- Questão para o grupo: como são estes textos lidos, eles contam a história do livro todo? (essa questão permite retomar a resenha do livro já conhecido pelo grupo).
É importante neste momento anotar as falas das crianças.
2- Deve-se, então, escolher com o grupo algumas resenhas dos catálogos e apresentar. A partir daí, é importante pedir que alguma criança escolha um livro da biblioteca da sala, que conste na lista dos livros preferidos, para que o grupo tente fazer oralmente uma resenha.
3- Depois da resenha é preciso conversar sobre a produção de resenhas de indicação literária para as crianças da outra escola, para que, assim, o outro grupo conheça as histórias preferidas e sinta-se convidado a ler também.



Terceira etapa
Depois da discussão sobre as resenhas, devem-se retomar os cinco títulos preferidos do grupo e escolher um para escrever a resenha.
Para encerrar essa etapa, recomenda-se uma situação de texto oral com destino: as crianças ditarão o texto e a professora fará o registro na lousa ou caderno.
É importante reproduzir com as anotações as ideias do jeito como as crianças ditarem, deixando a revisão final para outro momento.



Quarta etapa
Faz-se neste momento a releitura do texto que foi produzido pelo grupo. Se o texto possuir muitas marcas da oralidade, como “ai”, “né”, “então”, discute-se com as crianças para reescrevê-lo retirando isso e as repetições. O professor pode anunciar que o texto estava repleto destas expressões e que fica muito feio para quem lê.
Para essa etapa deve-se reapresentar uma resenha do catálogo e pedir que eles analisem se o texto tem estas expressões. Depois o texto é reescrito na lousa e lido em voz alta para que as crianças, parte por parte, discutam sobre o mesmo. O professor pode decidir, quando as crianças não conseguirem, fazer certas alterações, mas é importante que a maior parte seja compartilhada com o grupo.



Quinta etapa
Essa etapa final consiste em decidir com o grupo como será o produto final do projeto: um livro com os textos e ilustrações das resenhas ou um cartaz para ser afixado na sala do outro grupo.
Será, então, preciso realizar a escrita de mais uma resenha e seguir os encaminhamentos anteriores. É preciso combinar com o grupo, se for escolhido um livro, por exemplo, como poderão ser feitas as ilustrações. A sala pode ser dividida de maneira que cada grupo fique responsável pela ilustração de uma resenha (os desenhos podem ser produzidos em papéis de tamanho reduzido e depois recortados no formato para que caibam todos numa mesma página).
Assim que as resenhas dos livros escolhidos terminarem, o professor em parceria com as crianças organizará os desenhos produzidos e montará o livro ou o cartaz.
Se for o livro, não esquecer de: fazer um índice, colocar nome dos autores das resenhas e, se possível, anexar fotos das crianças (no momento de produção dos textos, desenhos, com o livro pronto...).
Para concluir o trabalho, combina-se um dia para que este livro ou cartaz seja entregue e de preferência com um momento em que as crianças possam se encontrar para fazer uma roda de indicação literária e trocar o que foi produzido e presentear umas as outras com um livro de histórias para fazer parte do acervo de cada grupo.



6. Avaliação
É importante avaliar e compartilhar os resultados alcançados, considerando-se principalmente:
• o acompanhamento dos avanços das crianças com relação aos objetivos do projeto;
• o planejamento de intervenções individualizadas e/ou replanejamento; e
• o reajuste das etapas do projeto em função desse processo.



* Projeto Entorno - Cardápio de Projetos, Fundação Victor Civita 2011