terça-feira, 16 de julho de 2013

AS MÚLTIPLAS FACES DA AVALIAÇÃO

A avaliação, entendida como um processo amplo de tomada de decisões no âmbito dos sistemas de ensino, é algo recente no Brasil. Temos pouco mais de uma década de avaliações sistemáticas. Hoje, quase todos os estados e muitos municípios contam com seu próprio sistema de avaliação. Em todos, mais do que conteúdos, são analisados competências e habilidades, o próprio currículo, os hábitos de estudo dos alunos, as estratégias de ensino dos professores, o tipo de gestão dos diretores e os recursos a eles oferecidos para melhor realizar o seu trabalho.
A avaliação é condição necessária para que se possam estabelecer e acompanhar metas qualitativas e quantitativas e verificar se estas últimas são atingidas.
Há, portanto, necessidade de contar com mecanismos que permitam produzir informações sobre o que se ensina e o que se aprende nas escolas e sobre a forma de dar mais transparência aos sistemas educacionais perante a sociedade.
Fala-se muito em mudanças e inovações do sistema educacional estimuladas pela avaliação. Qualquer mudança, no entanto, tem de ser assumida e implementada dentro das escolas. Mudar a educação é mudar a escola. Se tivermos a intenção de usar a avaliação para melhorar a educação, esta terá que ser trabalhada dentro das escolas, sendo seus resultados utilizados efetivamente pelos professores e alunos no cotidiano da relação ensino x aprendizagem.

Avaliação externa e interna

A avaliação de um sistema de ensino deve se basear, também, na avaliação das escolas por elas próprias. Nesse caso, além das avaliações nacionais, estaduais e municipais, cada escola deve se autoavaliar quanto a seus programas, projetos, materiais pedagógicos, recursos, professores, alunos, a sua gestão, infraestrutura e a seu pessoal de apoio.
A importância de a escola se autoavaliar está no fato de que, sendo o local onde as coisas acontecem, é, também, onde se dá o diálogo entre equipe, pais, alunos e autoridades gestoras do sistema. Toda a comunidade escolar deve ser preparada para poder combinar os produtos das avaliações externa e interna. Só uma boa e séria avaliação interna permitirá às escolas a construção de um diálogo efetivo com a avaliação externa. Quando isso não ocorre, a avaliação externa pode gerar atitudes defensivas, não atingindo seus objetivos.
A avaliação intraescolar é um processo que exige uma tomada de consciência da importância da avaliação para que se estruturem processos de mudanças. Envolve, ainda, descentralização e treinamento de equipes escolares.
Cabe aos gestores de políticas públicas em educação, agora que a avaliação já está sendo institucionalizada, tomar iniciativas para que grupos de escolas se reúnam, discutam seus problemas, formulem estratégias de avaliação, utilizem a linguagem da avaliação, descubram suas potencialidades e adequem suas ações às necessidades específicas de suas clientelas.
Ninguém, na realidade, aprende a avaliar discutindo conceitos de avaliação. É preciso experimentar, tentar, criar estratégias, envolver a equipe, tendo como horizonte melhorar a qualidade da educação e diminuir índices negativos, sejam de desempenho, evasão ou repetência. Normalmente, deve-se selecionar alguma questão e envidar esforços para praticar a avaliação interna sobre ela. Não é difícil organizar uma base de dados por escola, base esta que deverá conter índices de matrícula, evasão, desempenho, repetência, projetos implementados, currículo praticado e tudo o que for julgado pela equipe como insumo necessário à avaliação da escola.
Envolver professores, pais e alunos na tarefa de avaliação intraescolar não é fácil, mas não é impossível. À medida que as escolas começarem a efetuar suas próprias avaliações internas, haverá maior facilidade em obter subsídios a partir das avaliações externas, de tal forma que o processo avaliativo cumpra sua função: mudar o que precisa ser mudado, aperfeiçoar o que precisa ser aperfeiçoado, construir o que precisa ser construído.
A avaliação, portanto, deve servir de base para o diálogo e não para dar origem a descrições assertivas e unilaterais. Escolas habilitadas à avaliação interna entenderão que avaliar é um processo contínuo, coletivo e não uma atividade isolada. Dessa forma, se envolvidas em sua própria avaliação, as escolas terão condições de se confrontar com diferentes perspectivas e conclusões.
Alunos, professores e gestores de escolas devem se tornar participantes ativos dos diálogos de avaliação em vez de serem recipientes passivos das descrições e dos julgamentos feitos. O papel de uma avaliação externa é o de fazer com que as escolas tenham um olhar de estranhamento sobre elas próprias. Esse tipo de avaliação oferece, ainda, possibilidades de observar o desempenho dos alunos, mas também tem limites, o que torna indispensável a avaliação em sala de aula, pelo professor.

Limites e possibilidades das avaliações externas

Atualmente, a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro vem desenvolvendo avaliações externas, bimestralmente, em duas disciplinas, Língua Portuguesa e Matemática. Todos os alunos do Ciclo Intermediário ao 9º ano realizam testes com a finalidade de aferir as habilidades por eles dominadas nessas disciplinas. Cada professor recebe o resultado de sua própria turma, o que permite que cada escola e cada turma olhem para si próprias e percebam o nível de domínio já alcançado nas habilidades propostas ou o que fazer para levar seus alunos a alcançá-lo.
Os testes organizados pelos especialistas da Secretaria Municipal de Educação adotam o modelo de múltipla escolha, por este fornecer uma série de possibilidades, entre as quais destacamos a  redução da subjetividade na correção, a possibilidade de avaliar uma grande quantidade de habilidades, a discriminação precisa do nível de domínio de cada habilidade testada e a possibilidade de cada professor verificar, através do percentual de acertos de seus alunos, como sua turma se encontra em relação ao conjunto de alunos do município. No entanto, esse formato tem limites, tais como a dificuldade na elaboração de itens de acordo com as habilidades requeridas, dentro do nível de complexidade exigido. Há, também, o problema de não avaliar a escrita dos alunos, só a leitura e a interpretação de textos, além de não permitir verificar o desenvolvimento do raciocínio matemático, isto é, o aluno examina e escolhe alternativas propostas, mas não expressa suas próprias ideias.
Mesmo oferecendo limitações, os testes de múltipla escolha são a melhor forma de se acompanhar o desenvolvimento das habilidades dos alunos de todo um sistema educacional. Seus limites podem e devem ser revistos pelos professores. Se cada professor, depois dos testes de múltipla escolha, refizer todas as questões com seus alunos sob a forma de perguntas abertas, certamente, esses limites impostos pela necessidade de se usar um determinado tipo de questão desaparecerão.

O papel da avaliação do professor

Nos parágrafos anteriores, fica clara a necessidade de diálogo entre os diferentes tipos de avaliação, porém, é relevante discutir a grande importância das avaliações realizadas pelos professores em sala de aula.
A avaliação do professor deve ser  formativa, indo além das demonstrações do “saber” de seus alunos, enfocando hábitos, atitudes e  valores a serem construídos e solidificados. Certamente, deve ser diagnóstica, verificando possíveis problemas na formação de conceitos e habilidades, antes que essas dificuldades se transformem em grandes problemas. Um claro exemplo disso é o da formação do conceito parte-todo, que está na raiz da resolução de problemas que envolvem frações e decimais, presente em todas as séries do Ensino Fundamental.
O desenvolvimento dos alunos e seus desempenhos podem ser bastante aprimorados quando as informações de vários tipos de avaliações, não necessariamente testes e provas, são usadas pelos professores para discussão com seus alunos. São também formativas as informações sobre o rendimento do trabalho do aluno em diferentes grupos, projetos e a própria participação de cada aluno em  sala de aula. Nada, portanto, substitui a avaliação professor/aluno.
Além disso, em geral, os próprios professores realizam suas avaliações somativas ou informativas ao fim de cada unidade de trabalho ou bimestre e, a partir do que detectam, normalmente, reveem habilidades não de todo dominadas, modificam estratégias de ensino, retomam conceitos sem se ater  pura e simplesmente a lançar novos conteúdos e habilidades prescritas no currículo. É importante, também, levar os alunos a se engajarem no processo de avaliação, nos diversos momentos da sala de aula, de tal modo que a avaliação participativa desmistifique a avaliação final como modelo único.
Como conclusão, pode-se afirmar que, se todos os tipos de avaliação dialogarem entre si, os maiores beneficiários desse diálogo serão os alunos. Na realidade, a avaliação deve deixar de ser um discurso de descrição e julgamento para se tornar um discurso de diálogo.

*Doutora em Educação PUC/Rio



Referências bibliográficas



LOCATELLI, I. Construção de instrumentos para a avaliação em larga escala e indicadores de rendimento: o modelo do Saeb. Estudos em Avaliação Educacional, São Paulo, n. 25, p.3-21, 2002.



(_______) Novas Perspectivas de Avaliação. Ensaio – Avaliação e Políticas Públicas em Educação, Rio de Janeiro, v. 9, n. 33, p. 475-487, outubro/dezembro 2001.



PERRENOUD, P. Novas competências para ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.



(_______) Prática pedagógica, profissão docente e formação. Portugal: Editora Dom Quixote, 1996.



(_______) Avaliações em educação: novas perspectivas. Porto Editora, 1995.



SACRISTAN, G. Consciência e ação sobre a  prática como libertação profissional dos professores. In: NÓVOA, Profissão, Professor. Porto Editora, 1995.




LITERATURA INFANTIL E ESCOLA: A ESCOLARIZAÇÃO DO TEXTO

Marisa Lajolo

(...)
Entre as atividades hoje mais freqüentemente sugeridas para despertar e desenvolver o gosto (quase sempre chamado de hábito) pela leitura, encontram-se a transformação do texto narrativo em roteiro teatral e subseqüente encenação; a reprodução, em cartazes ou desenhos, do tema, da história ou de personagens do livro; a criação, a partir de sucata, de objetos ou colagens de alguma forma relacionados à história; as pesquisas que aprofundam algum tópico que o texto aborda; o prosseguimento da história, sua reescritura com alteração do ponto de vista; entrevista (real ou simulada) com autor ou personagens do livro; jogral ou coro falado quando se trata de poemas; e tantas outras, familiares a quem tem intimidade com a literatura infantil.
A freqüência com que essas atividades são sugeridas em fichas de leitura, encartes, suplementos e similares só se compara à sofreguidão com que, quando ausentes, são solicitadas pelos caros mestres, às voltas com a árdua tarefa não só de fazer com que seus alunos leiam, mas, principalmente, de fazer alguma coisa com o que seus alunos efetivamente leram! A inclusão de sugestões de atividades em livros destinados ao público infantil já foi interiorizada como necessidade pelos professores, que as solicitam quando não as encontram no livro que escolhem para seus alunos:
Até hoje a editora não preparou nenhuma “ficha de leitura” ou “ficha de interpretação” do Gênio do Crime, como é uso em outros livros dados em classe, a pedido meu. Acho que tais fichas delimitam a apreciação do livro e a uniformizam.
Nas visitas que tenho feito em classe, desde 1969, encontrei ótimos professores que, segundo seu critério e segundo o adiantamento da classe, adotam este ou aquele tipo de trabalho, muitos excelentes e originais.
Não é minha intenção impor um método de trabalho sobre O Gênio do Crime. Os professores que já experimentaram seus métodos particulares devem continuar a fazê-lo. O método ideal de exercício surge sempre da conjunção do modo de ser do professor com o modo de ser da classe, coisa personalíssima e que uma ficha de leitura não pode prever.
Acontece que a editora, há vários anos, continua recebendo solicitações para que O Gênio do Crime venha acompanhado de uma ficha de leitura. Atendendo a estes pedidos  elaborei as seguintes alternativas de métodos de trabalho. O depoimento de João Carlos Marinho registra o momento em que os professores delegam a terceiros o planejamento das atividades de leitura que desenvolverão com seus alunos. Se na origem dessa distorção está o despreparo do magistério, seu achatamento salarial, a precariedade das condições de seu exercício profissional, reconhecer tudo isso não diminui a gravidade do fato de que a leitura patrocinada pela escola de hoje parece sofrer de uniformização.
Essa uniformização, no entanto, pode passar despercebida, pois muitas vezes vem embrulhada em propostas que, em nome de uma leitura lúdica e criativa, gerenciam o envolvimento com o texto, imergindo a leitura em atividades que apenas simulam criação e fantasia:
Ao lermos a história do Capitão Argo e sua nave prateada no planeta das árvores chamejantes que o Fausto Cunha inventou e que naturalmente vai interessar – e muito – aos pré-adolescentes, podemos convidar o pessoal para embarcar numa nave imaginária e viver suas próprias peripécias. Para isso, precisamos preparar o espaço da viagem. O espaço propriamente dito, os possíveis itinerários, o local da decolagem e aterrisagem, a duração da viagem e assim por diante.
Tiramos as cadeiras da sala de aula (se possível) ou as afastamos para um canto. Limpo o chão, embarcamos em nossas naves individuais ou em pequenos grupos e nela soltamos a nossa fantasia num vôo realmente sem limites. A nave espacial flutua (e o nosso corpo flutua junto) e nos leva a espaços desconhecidos e a mil aventuras. (Guia de Leitura 4. 4ª Ciranda de Livros. Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. P. 26.)
Sem atenção para níveis metafóricos do texto e da leitura, essa proposta referencializa e banaliza o ato de ler. Condena à pobreza da improvisação teatral sugerida a viagem de cada leitor; embarca-o numa nave, necessariamente pobre ao confinar-se ao espaço (mesmo sem carteiras!) de uma sala de aula; empobrece a viagem ao cristalizá-la num itinerário prévio, ao encolhê-la a uma duração definida.
Não se trata, evidentemente, de dizer que tais atividades são desaconselháveis, prejudiciais, más em si mesmas. Nada, em si mesmo, é bom ou mau.
O problema é que atividades sugeridas indiferenciadamente para muitos milhares de alunos, distribuídos em pacotes endereçados a anônimos e despreparados professores, passam a representar a varinha mágica que transformará crianças mal alfabetizadas e sem livros disponíveis em bons leitores. Favorecem ainda a crença de que sua realização operará o milagre de transformar os professores em orientadores de leitura, fazendo vista grossa à sua pouca familiaridade com livros, não questionando sua leitura quantitativa e qualitativamente muito pobre, deixando intocada sua estranheza face a práticas mais significativas da linguagem. Na rotina de tais atividades camuflam-se riscos sérios de alienação da leitura.
Aí, sim, tais atividades são más, desaconselháveis, prejudiciais.


Atenção: este texto foi extraído do livro Do Mundo da Leitura, para a Leitura do Mundo, de Marisa Lajolo, Editora Ática, SP, que faz parte do acervo doado às cidades no Projeto de Luz. Quem tiver interesse em ler os outros textos ligados a essa pesquisa da autora pode procurar pelo livro.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

DICA LITERÁRIA : O JORNAL

O jornal
AUERBACH, Patricia
Brinque-Book

Por que meu pai não larga o jornal? O que ele tem de tão especial? Acho que encontrei a resposta!

Livro-imagem
Obra que estimula a imaginação e a criatividade das crianças e o interesse delas pelos assuntos dos adultos
Ao ver que seu pai não larga o jornal, um garotinho quer brincar com ele também. O menino quer descobrir o que há de tão especial nesse objeto. A obra revela até onde a imaginação de uma criança pode ir ao transformar um pedaço de papel nas mais divertidas aventuras.



https://www.google.com.br/search?q=Biygr9q0V1Y&oq=Biygr9q0V1Y&aqs=chrome.0.69i57.5761j0&sourceid=chrome&ie=UTF-8

PROJETO PINÓQUIO


Objetivos
1. Conhecer a história do boneco de madeira que sonha ser “menino de verdade”:uma narrativa considerada um clássico da literatura ocidental, que marcou muitas gerações e foi transformada em teatro, balé e cinema, além de muitas adaptações para TV e, inclusive, utilizado na publicidade.
2. Compartilhar com os alunos a leitura de uma importante obra infanto-juvenil, auxiliando/ensinando os alunos a fazer uma boa leitura, falar sobre ela e criar situações de outras aprendizagens através e a partir da leitura.
3. Compartilhar o prazer da leitura de uma bela obra, desfrutando momentos de encantamento que a leitura produz. Convidar os alunos a também se encantarem e sentirem-se motivados a outras leituras desafiantes e prazerosas.
4. Comparar diversas adaptações de uma mesma obra.


Atividades
A formadora chama a atenção para aspectos que devem ser considerados pelo professor no desenvolvimento deste projeto:
• Nem todos os alunos têm o livro - Se não houver um exemplar para cada aluno realizar a leitura individual, o livro pode ser lido coletivamente. Organize a leitura durante o bimestre ou trimestre de forma a garantir um horário definido para a leitura diária. A rotina assume um grande valor no trabalho de leitura, já que os alunos criam uma expectativa positiva para esperar o momento da leitura: colocam-se “a postos” para a espera do que acontecerá naquele dia com os personagens que vão se tornando seus conhecidos e amigos, torcendo, fazendo antecipações e criando hipóteses.
• Antes da leitura do livro – Comece contextualizando a leitura, falando do autor, da importância da obra. Caso já tenha lido o texto, conte sua própria experiência com a história. O professor é sempre um modelo de leitor: seu próprio relato e empatia em relação a obra abrem caminho para a narrativa.
• O mais importante é ler o livro - Muitas atividades podem surgir com a leitura de Pinóquio. O importante é que elas possam ajudar as crianças a gostarem ainda mais da história e perceberem as potencialidades que o texto tem. Porém o mais importante será sempre a leitura da obra, que não é substituída por nenhuma atividade complementar, como ver filme, construir bonecos, dramatizar, etc. Tais atividades têm inegável valor pedagógico, que, inclusive, ajudam a abrir caminho para a leitura, mas elas por si só não formam leitores.
Como sugestão, leia no livro Da Leitura do Mundo..., de Marisa Lajolo, o capítulo “Literatura Infantil e Escola: a Escolarização do Texto”. Essa leitura ajudará a entender o que está sugerido neste enunciado.

Sugestões de Atividades
A formadora apresenta as atividades para o professor:
1. Você tem duas narrativas de Pinóquio. A original e uma adaptada. É importante para as crianças entenderem os motivos de uma adaptação e o que acontece quando se “diminui” uma obra. Para isso, escolha uma aventura entre as várias aventuras vividas pelo Pinóquio e faça a leitura completa da aventura escolhida nos dois livros. Depois, reúna as crianças numa roda de conversa em que elas sejam convidadas a falar sobre as diferenças que observaram, de qual versão mais gostaram, o que aconteceu de maneira diferente, o que foi dito de outra maneira, entre outras observações. A seguir, escolha algumas frases dos textos, nas quais seja possível discutir a riqueza da forma de narrar. Solicite aos alunos que transcrevam essas frases no caderno.
2. Professor, peça aos alunos que façam uma reescrita de uma aventura de Pinóquio, dando-lhe um novo final, um novo começo ou colocando uma aventura extra entre algumas delas. Incentive os alunos a interagir com o texto sem, todavia, quebrar sua essência. Nessa atividade é importante ressaltar que as histórias seguem uma lógica dada pelo tempo, pelo espaço, pelos personagens, ou seja, pelos elementos da narrativa. Quando vamos interagir com os textos, escrevendo novos textos, temos que nos lembrar disso. Quanto mais os textos “enxertados” estiverem em sintonia com a narrativa, melhor terão cumprido sua função. Trata-se de ensinar as crianças a criar dentro de um limite de necessidade e coerência e não, evidentemente, de censura à imaginação.
3. Professor, crie situações de leitura que envolva a família. Durante uma reunião de pais, o comece com a leitura de um trecho de Pinóquio ou peça que os alunos façam isso. Ao narrar um episódio, peça que os alunos recriem oralmente o episódio e os instigue a contar em casa a aventura que foi lida para sua família e
amigos. Trata-se de criar um movimento de familiaridade com o texto, de
convívio com Pinóquio até o fim da leitura.
4. Peça aos alunos que façam uma pesquisa sobre os brinquedos com que as crianças da sua cidade brincam. Existem bonecos de madeira? Existem fabricantes de brinquedos como o Gepeto, ou todos são industrializados, isto é, construídos por máquinas, nas indústrias? Cabe aqui uma pesquisa com os pais e avós para saber com quais brinquedos eles brincavam quando crianças.
Certamente, aparecerão brinquedos feitos em casa, pelos pais ou irmãos mais velhos, amigos da rua, etc. O resultado da pesquisa pode se transformar num painel de desenhos de tais brinquedos, num texto informativo sobre brinquedos e brincadeiras ou até numa exposição de brinquedos populares, caso as crianças consigam reunir alguns deles. Também aqui cabe uma parceria com a área de artes ou outros professores que se interessem pelo tema na idéia de criar uma oficina para a construção e criação de brinquedos.
5. A Escola tem um importante papel na história de Pinóquio. Professor, investigue com as crianças o que significa ir para a escola. Pergunte às crianças e faça um painel na sala de aula sobre o que significa ir ou não ir para a escola. As crianças conhecem outras crianças que não vão para a escola? O que fazem essas crianças? Essa atividade pode envolver um trabalho de escrita que passe por reescritas e avaliações.
6. O Teatro também aparece fortemente na obra. Convide as crianças para representarem um episódio de Pinóquio para as turmas que não estão lendo o livro. A atividade pode ser bem simples, com a escolha, leitura e ensaios feitos oralmente ou pode envolver outras aprendizagens, como a reescrita para o teatro. Na reescrita, outras habilidades deverão ser colocadas em prática: a adaptação dos diálogos, a cópia do texto, uma possível adaptação de cenas etc. Cabe ao professor avaliar o grau de desafio possível de solicitar a seus alunos para essa atividade. Para essa atividade, consulte o livro Um Caminho do Teatro na Escola, de Olga Reverbel.
7. Caso seja possível, procure nas locadoras de sua cidade as adaptações em vídeo da História de Pinóquio. Alguns cineastas levaram para as telas essa bela história. Discuta com as crianças a maneira como a história foi narrada pelo cinema. Eles vão se divertir.
8. Convide os marceneiros para que construam “Pinóquios” para as escolas! Peça às crianças que escrevam convites para marceneiros conhecidos (ou não) e marque um dia para a fabricação de bonecos para a escola. Aproveite para contar a eles sobre a história que está sendo lida. Não se esqueça de convidá- los, quando tiverem terminado a leitura, para que não fiquem sem saber como é que tudo acaba!
Nota importante: o projeto Pinóquio recebeu importantes contribuições da seqüência Comparando as Diferentes Versões de Pinóquio, elaborada pelo Cedac e também apresentada na Revista Avisa Lá, número 25, janeiro de 2006. Nossos agradecimentos a essas duas importantes entidades educacionais.
Veja a seqüência didática completa, elaborada pelo Cedac no link;
http://revistaescola.abril.com.br/online/planosdeaula/ensino-fundamental1/PlanoAula_277658.shtml

domingo, 14 de julho de 2013

O FANTÁSTICO MAR DE HISTÓRIAS


Celia Nascimento

Mar de Histórias é a expressão que se usava em sânscrito para se referir ao universo das narrativas. O escritor Salman Rusdhie utilizou-se dela para dar título a um importante livro escrito para crianças e também a mais importante coletânea de contos universais feita no Brasil e idealizada por Paulo Rónai e Sérgio Buarque de Hollanda na década de 1960 recebeu este nome. É uma bela expressão que comunica a abrangência e, de certa forma, a necessidade de entrarmos em contato com esse universo.
Mar de Histórias foi o nome escolhido para uma atividade eficaz e querida de alunos e professores de todas as idades. Mar de Histórias é uma maneira de falar de literatura e de livros, de leituras, indicar títulos, autores e temas e ainda escolher livros que serão lidos pela turma ou socializados de alguma outra maneira.
A atividade consiste em colocar no chão um grande tecido que pode ser escolhido com as cores que lembram o mar ou que seja feito pela comunidade como bordado, colcha de retalhos ou outra solução. Porém a beleza ou singularidade do tecido não é indispensável à atividade. O que mais importa é que exista um tecido sobre o qualsejam dispostos muitos títulos e que os ouvintes possam aprender sobre eles e desejar lê-los.
Começamos a atividade com uma conversa sobre leitura, ou uma leitura propriamente dita, sobre uma narrativa que gostamos, que escolhemos por um determinado motivo. Pode-se optar por uma leitura sem discussão posterior já que, algumas vezes, o desejo é de apenas ler e ouvir a narrativa sem nos preocuparmos com nenhuma discussão sobre ela. O contrário também é totalmente possível, ou seja, abrir uma discussão sobre a narrativa depois da leitura. Evidentemente que uma ou outra maneira de conduzir a atividade depende do que se pretende com ela.
Sobre o tecido, dispomos os títulos que farão parte do Mar daquele dia. Em volta dele, reunimos o grupo que fará parte da roda: os alunos da sala de aula, o grupo de professores, o grupo de pais etc. Os títulos colocados no Mar devem ser variados e obedecer a algum pressuposto que se tenha estabelecido para aquela roda. Pode ser temática (um tema que se queira aprofundar ou trazer à tona: África, Mitologia, Ciência, Astronomia, Guerra...), pode ser por autores, por gêneros, comemorativos de alguma data ou evento especial e tantas outras idéias podem surgir. Evidente que o importante é que o professor faça uma escolha pensada no seu grupo, na faixa etária, na capacidade leitora de cada um, no histórico leitor e nas necessidades que se colocam para a formação de um público leitor. Também é importante que o professor comente cada livro colocado no Mar de Histórias para que os alunos possam escolher dentro de um leque anteriormente comentado e se sintam próximos e seduzidos pela indicação das leituras feitas.
Trata-se de uma atividade riquíssima que pode acontecer todas as semanas com inúmeras variantes. Pode ser uma roda:
de histórias de suspense,
de histórias de humor,
de romances,
de poesia,
de música,
de quadrinhos,
de biografias,
de obras de um autor específico,
de livros de imagens, livros de arte,
de crônicas, contos e outros gêneros literários,
de artigos de jornais,
de parlendas, travalínguas e trovas,
e tantas outras rodas... que o professor desejar e inventar!

sábado, 13 de julho de 2013

DICA LITERÁRIA + SUGESTÃO DE ATIVIDADES

Livro - Dia de Chuva
Dia de Chuva, Ana Maria Machado, ilustrações de Nelson Cruz, São Paulo, Moderna, 2002.
Esse livro é uma prova da fé que Ana Maria Machado sempre teve no poder da imaginação da criança. Observadora atenta do mundo infantil, Ana sabe que as crianças, desde muito cedo, constroem mundos incríveis no faz-de-conta. Um dia de chuva pode deixar muita gente entediada. Mas não aqueles que têm passagem livre para o incrível mundo do faz-de-conta. As almofadas do sofá se transformam em elefantes, camelos, carroças e caravanas. A mesa da sala vira caverna, os pés da cadeira são troncos de árvores, a cama ou rede é um navio em alto-mar, a vassoura é um cavalo, o pano-de-prato é uma capa mágica. Dia de Chuva é apenas um exemplo de como os pequenos percorrem o mundo todo enquanto gente grande acha que não vão a lugar nenhum. 


Antes da leitura detalhada do texto

Pergunte aos alunos se conhecem outros livros da autora. Ouça as respostas. Elas lhe darão alguma idéia do que já leram e se já associam autor e obra. Em seguida, chame a atenção para o título. Pergunte por que o livro se chama Dia de Chuva e, se tem esse título, qual deverá ser o assunto? Solicite que observecrianças? Que cenário elas vêem da janela? Elas estão sozinhas em casa? Estarão com medo ou entediadas? Peça para justificarem as respostas com base na ilustração. Peça que relatem algumas experiências (enchentes, brincadeiras diferentes, lanches especiais, como o bolinho de chuva) e sentimentos (medo, tédio, alegria, tristeza) que tiveram num dia de chuva. Continue provocando a expectativa: será uma dessas experiências o assunto da história? Abra o livro e mostre às crianças a capa e a 4ª capa. Peça que observem as imagens: o que vêem? O que fazem as crianças numa e noutra capa? As ilustrações se completam ou parecem ser dois 
momentos diferentes? Leia, então, o que está escrito na 4ª capa: “As crianças cansaram de ver a corrida das gotas na vidraça. Então viajaram com os amigos nas costas dos elefantes”. Que elefantes serão esses?

Durante a leitura extensiva do texto
Inicie a leitura com as crianças. O jogo do livro está entre o que os personagens estão fazendo de verdade, representado pelas imagens, e o que estão fazendo pela imaginação, representado pelo texto. A intenção é fazer o diálogo entre texto e ilustração. Vá associando texto e imagem, pedindo que interpretem as metáforas: costas dos elefantes, cabana na floresta, caravana de carroças, abismo, ponte perigosa, pedras, feras, navio mágico, piratas e jacarés, caverna dos ursos. Pergunte: na imaginação de Guido, Isadora e Henrique, que objetos da casa de Guido representam essas situações? Solicite que observem o quadro que está na parede na passagem “Atravessaram um abismo numa ponte perigosa”. Que relação existe entre a realidade (o quadro na parede) e o fato imaginário (as crianças atravessando um abismo numa ponte perigosa)? Peça aos alunos que digam por que as crianças deram muita risada quando a mãe do Henrique disse: “Que pena que eles não puderam ir a lugar nenhum por causa da chuva...” Saliente o jogo da imaginação e o confronto com a realidade. A frase “Então viajaram com os amigos nas costas dos elefantes” significa uma viagem de verdade? Pergunte: que frase marca o início da viagem imaginária? Que trecho marca o término dessa viagem? “Gente grande” é assim também, isto é, brinca de “faz de conta”? Em que cômodo da casa brincaram as crianças? Em que ilustração esse cômodo pode ser visto por inteiro? Nessa ilustração, de que perspectiva ele está sendo visto? 
Peça para as crianças observarem os detalhes da ilustração, então pergunte: que casa é esta? Como são as mães? O que fazem? O que se vê das janelas em diferentes momentos? Com a água da chuva, para onde vai o lixo que está jogado na calçada e o que se vê de uma das janelas? Como é o bairro?Continue o confronto texto e imagem. Leia para a classe apenas o texto, sem ilustração. Pergunte se faz sentido. Texto e ilustração se completam? É possível entender a história um sem o outro?

Depois da Leitura

Atividade 1
Objetivo: inferir que a ilustração é o real e o texto é a fantasia. Em dupla, construir uma tabela com duas colunas. Coluna I: Mundo da fantasia, e coluna II: Mundo da realidade. Preencher as colunas com uma lista. Se as crianças estão em fase de alfabetização, peça que usem a letra de imprensa maiúscula:

Mundo da fantasia                                                  Mundo da realidade
Costas dos elefantes                                                  As almofadas
Cabana na floresta                                                     Embaixo da mesa
Caravana de carroças                                                As cadeiras
Abismo                                                                     Espaço entre as poltronas
Ponte perigosa                                          A menina se segurando com os pés na mesinha e com as mãos o 
                                                              pé do amigo
Pedras                                                                      O sofá
Feras                                                                        O cachorro
Navio mágico                                                            A mesinha
Armas de defesa (?) – só imagem                              Vassoura e rodo
Piratas e jacarés                                                        Cachorro e almofadas
Caverna dos ursos                                                     Embaixo das poltronas/cachorro (urso)

Atividade 2
Objetivo: utilizar metáforas, jogando o “faz de conta”, resgatar a imaginação pelo jogo dramático: pegar um objeto e transformá-lo em outro. Em duplas, dramatizar um dia de chuva, como o do livro, no espaço da sala de aula. Proponha que as crianças façam a mesma brincadeira na sala de aula. Você saberá se a criança teve a compreensão do jogo da história. Cada dupla faz uma cena. 
As crianças terão que dramatizar, mas agora em outro espaço. São outros os objetos – o que esses objetos (cadeiras, mesas, carteiras, almofadas, bancos, giz, lápis pretos e coloridos, papéis, régua, vassoura, pá) podem representar? Dê para cada dupla uma cena. Durante a interpretação, a platéia deve descobrir que cena do livro a dupla está representando

Atividade 3
Objetivo: representar pela escrita o jogo do “faz de conta”, em novo espaço – a sala de aula. Em duplas, repetir a atividade 1, mas preenchendo as listas com os elementos da fantasia e da realidade do novo espaço, a sala de aula.

Atividade 4
Objetivo: representar pela escrita o jogo do “faz de conta”, em espaço escolhido pelo aluno: pátio da escola, cozinha, banheiro. Em duplas, peça para as crianças escreverem e ilustrarem Um Dia de Chuva, com a história situada em espaço escolhido por elas.

Atividade 5
Objetivo: utilizar metáforas no texto e ilustrações para a realidade, jogando o “faz de conta”. Em duplas, contar por escrito e por ilustrações um dia de férias, em espaço conhecido de outras histórias – Sítio do Picapau Amarelo, por exemplo.

Atividade 6
Objetivo: saber pesquisar. Pesquisar a imagem da família brasileira em obras da literatura infantil de diferentes épocas.

Atividade 7
Objetivo: usar informação de pesquisa para resolver um desafio. Desafio: de que época é o mobiliário da casa da história Dia de Chuva? Pesquisar imagens do mobiliário brasileiro de diferentes épocas.

Atividade 8
Objetivo: refletir sobre a preservação do meio ambiente. Peça para a classe dizer o que acontece 
com o lixo jogado nas calçadas quando cai uma chuva forte. Solicite que os alunos façam uma 
representação do caminho percorrido por esse lixo e suas conseqüências para a cidade.

*fonte: http://www.fvc.org.br/pdf/letras-oficina-2.pdf (Orientações Didáticas para obras de Literatura Infantil, de Heloísa Cerri Ramos)

quinta-feira, 11 de julho de 2013