quinta-feira, 6 de junho de 2013

SOBRE AS ATIVIDADES PERMANENTES DE ALFABETIZAÇÃO


Atividades permanentes são situações didáticas cujo objetivo é constituir atitudes, desenvolver hábitos e procedimentos, favorecer a familiaridade e/ou a reflexão sobre um tipo de conteúdo etc. Pressupõe um trabalho regular – de periodicidade semanal, quinzenal, diária... – que acontece de forma sistemática e previsível durante o tempo necessário para que o objetivo pretendido seja alcançado. Como a característica principal dessas atividades é a regularidade, elas são privilegiadas para o contato intenso com um determinado conteúdo, daí a sua importância no período da alfabetização.
Seguem inicialmente algumas sugestões que não são específicas para alfabetizar.

 “‘Você sabia?’ – momento em que se discutem assuntos/temas de interesse das crianças. ‘Como viviam os dinossauros?’ ‘Por que a água do mar é salgada?’ ‘Como as crianças indígenas brincam?’. Cada aluno ou grupo pode se encarregar de tentar descobrir respostas para as perguntas. O professor também pode trazer, para esse momento, suas observações sobre o que mais mobiliza sua turma, em termos de curiosidade científica. É hora de trazer conteúdos das outras áreas curriculares: História, Geografia, Ciências, Matemática, Educação Física, como objeto de leitura e discussão.

Notícia da hora: momento reservado às notícias que mais chamaram a atenção das crianças na semana. Hora de exercitar o relato oral da criança que, por sua vez, vai aprendendo cada vez mais a relatar oralmente em situações como essas.

Nossa semana foi assim... Momento em que se retoma, de forma sucinta, o trabalho desenvolvido e se auxilia as crianças no relato e na síntese do que aprenderam; em que a memória de um pode/deve ser complementada com a fala do outro; em que o professor faz uma síntese escrita na lousa ou em cópias no papel ou de qualquer outro modo. Enfim, é hora de sistematizar, um pouco mais, as aprendizagens da semana: O que sabíamos? O que aprendemos? O que queremos aprender mais?

‘Vamos brincar?’ momento em que se ‘brinca por brincar’, em pequenos grupos, meninas com meninos, só meninas, só meninos, em duplas, em trios, sozinhos. É hora de o professor/a professora garantir a brincadeira, organizando, com as crianças, tempos, espaços e materiais para esse fim. É hora de observar as crianças nesse ‘importante fazer’. É hora de registrar essas observações para que possam ajudar o/a professor(a) a planejar outras atividades, a partir de um maior conhecimento sobre a turma, sobre cada criança.

Fazendo arte: momento reservado para as crianças conhecerem um artista específico (músico, poeta, pintor, escultor, etc.): sua obra, sua vida. Pode ser hora ainda de ‘fazer à moda de...’, em que as crianças realizam releituras de artistas e obras. Pode também ser momento de autoria de cada criança, por meio de sua expressão verbal, plástica, sonora.

Cantando e se encantando – momento em que se privilegiam as músicas que as crianças conhecem e gostam de cantar, sozinhas, todas juntas. É hora também de ouvir músicas de estilos e compositores variados, como forma de ampliação de repertório e gosto musical.

Comunidade, muito prazer! – momento em que se convidam artistas da região ou profissionais especializados (bombeiros, eletricistas, engenheiros, professores, repentistas, contadores de histórias, 
A família também ensina... momento em que se convidam mãe, pai, avô, avó, tio, tia para contar histórias, fazer uma receita culinária, contar como se brincava em sua época, cantar com as crianças. É a família enriquecendo seus laços com a escola e etc.) para irem à escola e fazerem uma apresentação/palestra/conversa. O evento demanda ação das crianças junto com o/a professor(a): elaborar o cronograma, selecionar as pessoas, fazer o convite, organizar a apresentação da pessoa, avaliar a atividade, etc. com as crianças. É a família compartilhando seus saberes.

Descobri na Internet – para as crianças que têm acesso em casa ou na comunidade à rede mundial de computadores, é possível reservar um momento para as descobertas que realizam, a partir dessa ferramenta de informação.

Leitura diária feita pelo(a) professor(a) – momento em que se lê para as crianças. É momento de o leitor experiente ajudar a ampliar o repertório dos leitores iniciantes. É possível, por exemplo, ler uma história longa em capítulos, como se liam os folhetins, como se acompanha uma novela na TV, mas também se pode ler histórias curtas, como fábulas, crônicas, etc. Ou ler poemas, com muita expressividade, enfatizando aqueles cuja sonoridade das palavras, cujo jogo verbal são as tônicas da construção poética.

Roda semanal de leitura – com as possibilidades referidas e outras ainda, como, por exemplo, quando as crianças selecionam, de própria escolha, em casa, na biblioteca (de classe, da escola ou da cidade) livros/textos/gibis para ler em dias e horários predeterminados. Podem depois conversar sobre o que leram para seus colegas. São leitores influenciando leitores. São leitores partilhando leituras.[1]



[1] Estas sugestões constam do documento Ensino Fundamental de 9 anos - Orientações para a inclusão de crianças de seis anos de idade (Brasília: SEB/MEC, 2006).


quarta-feira, 5 de junho de 2013

SITUAÇÕES DE LEITURA NA ALFABETIZAÇÃO INICIAL: A CONTINUIDADE NA DIVERSIDADE

por: Mirta Luisa Castedo

Pensar nas situações de leitura para a alfabetização inicial implica pensar em situações não totalmente diferentes daquelas propostas para outras fases da escolaridade. Assim, em primeiro lugar, tentarei caracterizar tais situações no contexto escolar. Depois, abordarei mais pontualmente a idéia da necessidade de propor a diversidade de situações tanto no nível inicial como durante toda a educação básica. As situações para a alfabetização inicial não são diferentes daquelas desenvolvidas nas séries mais avançadas e é necessário que se mantenham em processo de continuidade.
Na segunda parte, sob o princípio de que toda situação didática de leitura procura ajudar a coordenar aquilo que o leitoraluno já sabe com a informação nova apresentada pelo texto e seu contexto, ressaltarei e exemplificarei quais as condições específicas que possui uma situação de leitura quando se trabalha no momento inicial da alfabetização.

Diversidade de situações
Durante toda a escolaridade, tanto no nível inicial como na educação básica, ensinar a ler significa muitas coisas:
• É propor situações que faça sentido que um adulto leitor leia para as crianças e é, também, investir mais naquelas em que as crianças tenham de ler ou interpretar por si mesmas.
• É planejar as situações nas quais essas atividades sejam "inevitáveis" mas, também, é decidir como utilizar as situações imprevistas nas quais a leitura apareça como sendo pertinente.
• É desenvolver situações nas quais ler tenha sentido (dentre outras coisas) porque estamos buscando um dado preciso, estudando um tema desconhecido, acompanhando as instruções para fazer ou consertar um aparelho, ou porque nos emociona, alegra-nos ou nos surpreende a maneira que o autor "diz" tal coisa...
• É mergulhar no mundo da ficção, da poesia, do conto e do romance; é desvendar as enciclopédias, os dicionários e todo tipo de texto temático; é interpretar os complexos jornais e até os guias de televisão, o humor gráfico ou os cartazes publicitários...
• É, às vezes, ler ou fazer ler bem rápido sem prestar atenção na precisão; outras, é se deter no mínimo detalhe; muitas vezes, é pular e reler somente certas partes ou, ao contrário, é ler com paciência toda a extensão de um texto longo.
• É, como se a diversidade até aqui enunciada não fosse suficiente, ler é, além de tudo isso, não só ler. É pensar, falar, sentir e imaginar sobre aquilo que se lê em situações como recomendar ou pedir conselhos sobre leituras, vincular algumas leituras com outras, discutir sobre o que foi lido, coincidir, confrontar, resumir, citar, parafrasear...
Felizmente, em nossa cultura, ler é uma prática diversificada: em gêneros e formatos discursivos, em suportes, em posições enunciativas, em propósitos e em modalidades de leitura. Se ensinar a ler é possibilitar que nossas crianças possam navegar com prazer e adequação nessa prática cultural, a leitura na escola jamais poderá ser "a" mas "as".
Diversidade, sem dúvida, dificilmente reconhecida quando se transforma em mecanismo que deve ser adquirido instrumentalmente no início da escolaridade, para depois dar lugar a exercícios mais ou menos estereotipados de uma aquisição que se supõe finalizada. Ainda bem que faz muito tempo que essa prática escolar deformadora está sendo revisada tanto nas salas de aula pelos professores como por escritores profissionais e pesquisadores de diferentes procedências (psico e sociolinguistas, linguistas, críticos de literatura, psicólogos e didatas). Como resultado desse movimento, algumas certezas estão surgindo de maneira convincente: não é possível ensinar a ler com um único texto, não é viável pretender controlar todo o processo de interpretação de um texto (muito menos medi-lo), não é desejável impor uma única interpretação de um texto...Em suma: quando o que se pretende é formar leitores críticos, competentes e felizes não é didaticamente adequado pretender homogeneizar leitores nem leituras.
Além desse princípio básico de diversidade, outros princípios didáticos guiam os projetos e as situações de leitura e de produção de textos. É necessário:
1) Propor problemas para as crianças para cuja solução não tenham todos os conhecimentos nem todas as estratégias para poder resolvê-los totalmente. Somente dessa maneira é que sua resolução gera a necessidade de coordenar ou dar novo significado aos conhecimentos anteriores, construir novos conhecimentos e desenvolver estratégias.
2) Organizar projetos e situações nos quais a leitura apareça contextualizada em alguma prática existente em nossa cultura.
3) Dar oportunidades para se aproximarem e transformarem interpretações diversas de um mesmo texto, retomando-as a partir das interpretações de outros, de outras leituras, outras experiências que contradigam ou enriqueçam suas interpretações iniciais.
4) Gerar situações nas quais seja necessário que as crianças explicitem suas interpretações, confrontem-nas e elaborem outras cada vez mais compartilhadas.
Sob esses princípios, a professora ou outro adulto leitor lê para as crianças ou as crianças são convidadas a ler por si mesmas com modalidades diversas, diferentes textos, diferentes propósitos...Lê-se no contexto de selecionar anedotas, poemas ou adivinhas preferidas para uma antologia com destinatário escolhido por todo o grupo. Relê-se para inserir ilustrações da maneira mais adequada em textos que não as possui, lê-se para escolher um conto que será gravado para dar de presente para as crianças da pré-escola e também, muitas vezes, lê-se para ensaiar a melhor maneira de oralizá-lo na gravação. Obras e roteiros são selecionados e lidos em voz alta em sessões de leitura de textos. Também se seleciona e se lê para dar sessões de leitura para as crianças pequenas. Lê-se acompanhando instruções para montar um brinquedo, para fazer um truque de mágica ou para brincar de alguma coisa.
Lê-se para estudar: para se ter uma ideia global do tema ou localizar a resposta para uma pergunta específica ou buscar o parágrafo ou a frase que servem para justificar a própria opinião ou se lê para resumir... É necessário ressaltar que a diversidade de leituras no contexto escolar não pode nem deve ficar sujeita somente às propostas apresentadas pelas crianças, aos materiais que elas trazem, às situações que podem surgir. Tais demandas não atendem, necessariamente, à ampla gama de práticas sociais de leituras: ninguém pode demandar nem propor aquilo que não conhece. Quando se trata de ensinar a ler, é responsabilidade da escola garantir que a maior quantidade possível de situações e textos seja apresentada nas salas de aula para que as crianças tenham todas as oportunidades que necessitam para se transformarem em leitores críticos de nossa cultura. Continuidade também é responsabilidade da escola manter essa diversidade de situações em permanente uso. Não se aprende por partes fragmentadas que vão se acumulando até somar um todo, mas por coordenações cada vez mais extensas e profundas que dão lugar a reorganizações e ressignificações dos saberes em jogo, isto é, por aproximações sucessivas. Então, a apresentação de situações diversas sem continuidade não garante mais que certas aproximações cuja permanência e transformação progressiva não estão garantidas. A continuidade na presença de situações diversas é um princípio complementar da própria diversidade. É o princípio que garante a transformação do saber e evita sua perda por desuso A tradicional distinção escolar entre "ensinar a ler" no primeiro grau e "ler de maneira compreensiva" a partir do segundo, entre a aprendizagem de um mecanismo e o desenvolvimento da leitura propriamente dita, não está de acordo com os princípios de diversidade e de continuidade até aqui expostos. Há várias décadas o discurso da escola sobre a leitura vem sustentado que o fracasso da compreensão na leitura é um "problema concentrado na questão da primeira aprendizagem, pois não se imagina que o ato de ler possa ser outra coisa senão essa técnica que se aprende em alguns meses" nas séries inferiores .
Mas, ao contrário, se sustentamos que toda leitura é compreensão, que as crianças podem fazer interpretações dos textos desde muito pequenas, que as interpretações diversas são válidas e podem ser transformadas..., não há motivo para afirmar que existe uma divisão taxativa entre "ensinar a ler" e "ler". Essa distinção levou a omissões e deformações importantes tanto na alfabetização inicial como no processo posterior. Nas séries inferiores, o conteúdo privilegiado da leitura é a sonorização dos grafemas e suas combinações. O ensino omite todo conteúdo cultural relativo à própria prática da leitura, já que considera que sua abordagem supõe o conhecimento prévio do "código". Quando o texto aparece, é visto como suporte ou desculpa para ensinar o código. Mas, após essa etapa inicial, a deformação não desaparece mas assume outra característica: considera que os alunos já dominam as regras de combinação do "código escrito" e, portanto, "já sabem ler". Assim, "deixa-se de ler para elas (as crianças) porque são elas que devem ler sozinhas, e não só ler, mas entender (de um único jeito) mensagens escritas com vários tipos de complexidade.
Implicitamente, age como se não tivesse que continuar ensinando a ler, isto é, a interpretar as infinitas complexidades dos textos e seus contextos de produção".
Quando as crianças de 3a ou 4a série não interpretam adequadamente o enunciado de um problema matemático ou de um artigo de divulgação científica costuma-se afirmar rapidamente que não sabem ler, como se fosse um "mecanismo chave" que, uma vez adquirido, abriria as portas de qualquer texto e em qualquer circunstância. As perguntas a serem feitas nesses casos são: Qual a complexidade lingüística desse texto nessa circunstância que essas crianças ainda desconhecem? Qual a complexidade conceitual (matemática, temporal, causal...) que apresenta esse texto nessa circunstância e que põe obstáculos para a compreensão? Quais os saberes prévios cuja ausência propicia diferentes
interpretações...
Em suma, as crianças podem saber ler algumas coisas e, nós, professores, temos de continuar ensinando a ler durante toda a escolaridade.

Situações de leitura na alfabetização inicial
Argumentamos até aqui sobre a necessidade de manter a continuidade de situações diversas de leitura para garantir a possibilidade de construção de leitores autônomos e críticos. Agora, cabe e perguntar o que diferencia uma situação  de leitura com leitores iniciais e aqueles que não o são. As situações de leitura na alfabetização inicial "além do propósito próprio de
toda atividade de leitura (...) "obedecem" (...) à necessidade de cumprir um propósito didático bem específico: o de conseguir que as crianças avancem na aquisição do sistema, que possam ler cada vez melhor por si mesmas..."

As crianças
Felizmente, há uma década que em nosso meio já se sabe que as crianças constroem saberes sobre a leitura antes mesmo da leitura convencional. Essas descobertas poderiam ser sintetizadas em:
• As estratégias de leitura. "O significado do texto não é totalmente determinado pelo texto em si porque o leitor coloca em jogo seus saberes em um processo no qual continuamente formula hipóteses sobre o que pode estar escrito, infere o "não escrito", antecipa o que encontrará escrito mais adiante e até pula partes que não necessita processar para compreender o todo. Um leitor, além disso, integra essas estratégias em um processo permanente de autocontrole do que vai compreendendo. Todas essas estratégias próprias de cada tipo de texto vão modelando as estratégias do leitor. (...) Também não se lê da mesma maneira quando se faz com diferentes propósitos".
"É importante destacar que essas pesquisas não foram realizadas só com leitores, no sentido convencional do termo, mas também com crianças bem pequenas. (...) Elas também desenvolvem essas estratégias diante do texto e 'lêem' fazendo interagir aquilo que sabem com as restrições impostas pêlos textos".
• A interpretação do sistema de escrita. Nos esforços por compreender "o que a escrita representa e como representa", sabe-se que crianças bem pequenas podem diferenciar a escrita de outros sistemas de representação gráfica e estabelecem as condições internas para que o que está escrito "diga" (quantidade e variedade de caracteres). Muitas crianças pensam que está escrito o nome da imagem mais importante ou do elemento do contexto que é mais significativo (hipótese do nome).
Outras, além disso, consideram aspectos quantitativos da escrita ("não deve estar dizendo pouca coisa porque tem muitas letras" ou "aqui 'sapo' onde aparece festa" e "aqui 'o conto do sapo' onde aparece A montanha estava em festa"). Algumas, as mais avançadas, consideram não só os aspectos quantitativos da escrita, mas, também, a qualidade das marcas gráficas ("não está escrito 'sapo' porque não tem a mesma de 'sapato' " ou "está escrito 'aranha' porque é igual a de 'António'").
• A linguagem que se escreve. Além disso, as crianças não têm só estratégias e saberes sobre o sistema de escrita desde muito pequenas, mas também constroem saberes sobre "a linguagem que se escreve". "Autores como Ana Teberosky, Liliana Tolchinsky, J. Harste, D. Graves, dentre outros, demonstraram que as crianças, mesmo sem saber ler e escrever de maneira convencional e desde muito cedo, produzem textos linguisticamente diferenciados (por exemplo, narrações e descrições). São capazes de produzir mensagens que possuem marcas de diferenciação entre gêneros e demonstram que a organização sintética dos textos também é diferente"8. Essas diferenciações não só se realizam ao escrever mas quando antecipam o que pode estar escrito. As aulas as situações de leitura na alfabetização inicial requerem possibilitar a coordenação entre esses saberes das crianças e as informações que o texto e a situação oferecem. A intervenção do professor é necessária para propor os problemas que possibilitem esse interjogo.
Uma das dificuldades mais comuns desse tipo de situação é que as crianças, por falta de contexto, acabam decifrando ou inventando em vez de antecipar e confirmar ou desprezar suas antecipações considerando os dados que o texto oferece. Isto é, sonorizam as letras sem conseguir obter nenhum significado ou “dizem qualquer coisa" que não é coerente nem com o texto nem com o contexto. Muitas vezes, essa dificuldade não está em uma dificuldade da criança, mas em um obstáculo introduzido pela situação didática que não oferece de maneira suficiente e adequada os elementos do contexto para que previsões possam ser feitas.
As crianças têm oportunidades de desenvolver antecipações cada vez mais ajustadas e construir estratégias para confirmar ou desprezar essas antecipações quando as situações didáticas possuem os meios para que o texto se torne previsível e possa ser explorado, fazendo a correspondência entre aquilo que se acredita (ou se sabe) que está escrito e a própria escrita. Nas salas de aula, algumas estratégias demonstraram ser coerentes com esses propósitos.
Em princípio, é necessário desenvolver a maior quantidade e qualidade possível de saberes sobre a escrita e sobre a linguagem escrita. Esse saber permitirá que as crianças façam previsões cada vez mais ajustadas. Por exemplo, em uma classe na qual são explorados diferentes materiais para obter informação, um grupo de primeira série está estudando diferentes animais do Litoral para a elaboração de um folheto explicativo. Cada equipe procura informação sobre determinado animal escolhido por todos, a professora discutiu previamente o tema durante vários dias colhendo toda a informação prévia das crianças, também assistiram a vários vídeos que ampliaram seus saberes sobre o tema.
Na aula, a professora distribui uma série de materiais escritos para cada equipe e pede às crianças que marquem onde elas acham que há informação que possa ser útil.
Esse material foi cuidadosamente selecionado: há enciclopédias gerais e de animais (com e sem informação sobre o espécime procurado), contos e poesias com figuras de animais (mas, obviamente, sem informação relevante), revistas atuais (suplementos dominicais) que têm ou não dados sobre o tema e revistas para crianças dos dois tipos e jornais (que somente em um caso tem o material solicitado). As crianças marcam e, em seguida, discutem sobre como fizeram isso. A professora lê em voz alta algumas partes dos materiais marcados pelas crianças, elas confirmam ou não a existência da informação que procuram. Ao mesmo tempo, vão anotando os dados que julgam necessários guardar para o folheto.
Nessas situações, dentre outras coisas, os alunos:
1. podem ampliar seus saberes sobre em qual tipo de texto há informação relevante sobre esse tipo de tema;
2. podem distinguir que em alguns materiais (como os contos) há figuras de animais (muitos assim antecipam), mas pouca ou nenhuma informação;
3. talvez comecem a diferenciar a estrutura sintática dos textos informativos das narrativas de ficção (que certamente conhecem muito mais);
4. podem comparar a forma "organizada e metódica" de apresentar a informação em uma enciclopédia dos comentários bem diferentes que podem ser encontrados em um suplemento dominical;
5. podem também aprender sobre as sessões dos jornais, os índices diversos e a função das ilustrações ou dos subtítulos.
Em todas essas situações, as crianças aprendem a buscar onde ler e de que maneira fazê-lo de acordo com o propósito.
Colocam em jogo suas antecipações sobre os diferentes gêneros e seus portadores e ajustam essas antecipações em função de considerar os índices fornecidos pelo texto. Quando já se conhece muito sobre o gênero que se vai ler,
explorar onde diz, como diz cada coisa...As crianças podem antecipar que no início do conto diz "Era uma vez..." porque escutaram ler vários contos, podem procurar esse trecho de escrita no início do texto, podem comparar como esse início é igual ou parecido em vários livros e, também, como existem outros que não começam com a mesma escrita embora algumas partes permaneçam iguais. Poderiam servir para os mesmos fins as fórmulas de encerramento desses contos clássicos, as construções que se repetem nos contos de estrutura repetida ou os subtítulos "habitat, alimentação, reprodução..." em uma enciclopédia de animais cujas páginas têm, todas, a mesma diagramação e foram muitas vezes lidas pela professora.
Trata-se de propor o problema de "onde diz?" algo que é previsível que diga porque já foi lido muito e já se identificou uma parte (que muitas vezes se repete a partir do oral) para depois procurar essa parte no texto. Isto é, o escrito não é previsível ou não o é em si mesmo, é o professor que o torna previsível por intermédio de situações em que é apresentado. As poesias e as cantigas, quando são memorizadas em contextos nos quais faça sentido memorizá-las (porque de tanto cantá-las se aprende ou porque vão ser recitadas em um ato público ou em uma sessão de poesia para o Dia da Família, por exemplo), podem se tornar textos que as crianças conhecem muito bem e que, ao serem colocados à disposição delas por escrito, permitem esse trabalho de irem identificando onde dizem (ou estão escritas) as partes que vão sendo oralizadas Dessa mesma maneira, como texto a ser explorado mais pontualmente, podem funcionar as agendas de trabalho semanal ditadas para a professora por todo o grupo, escritas em cartazes que ficam à disposição das crianças e consultadas (relidas) para confirmar se a tarefa que se pensa fazer é a que corresponde àquele dia.
Algumas vezes, a previsibilidade de um texto pode surgir pelo contexto verbal imediato fornecido pela professora.
Tratam-se de situações em que o professor informa sobre o "que diz" em vários enunciados do texto e propõe às crianças o problema de identificar em que parte ele aparece. Em uma publicação que já tem vários anos, era descrita uma situação que continua sendo um exemplo típico desse caso. A seguir, transcrevo textualmente o trecho da obra citada:
Um grupo de crianças de cinco anos organiza com a professora uma festa de um aniversário na sala e pede a ela que escreva "Feliz aniversário" no cartaz. Ela atende o pedido das crianças, mas, além disso, acrescenta a esse material outros que dizem "Feliz Natal" e "Feliz viagem". Informa ao grupo sobre o conteúdo dos três cartazes sem identificar a qual pertence cada um, prega-os na lousa e pergunta qual deles é o que ele pediu..
Proposta a atividade, faz-se uma discussão entre os grupos. Opiniões diversas surgem em relação à identificação da escrita "Feliz aniversário".
Andrés: Aqui (mostrando a palavra FELIZ em cada um dos três cartazes) diz "feliz, feliz, feliz..."
Professora: Porque você acha isso?
Andrés: Porque tem todas essas letras (mostrando as letras dos três cartazes), todas essas letras são "igualzinhas".
Juan Manuel: Sim! Ele tem razão: são todas iguais (surpreso).
Professora: Onde diz "Feliz aniversário"? (Burburinho generalizado em toda a sala. As crianças comentam entre si diferentes opiniões).
Patrício: Olha Claudia (para a professora), eu acho que é neste (mostra FELIZ NATAL) que diz "feliz aniversário".
Professora: Por que você acha, Patrício, que aqui diz "feliz aniversário"?
Patrício: Porque esta (mostra o N em NATAL) é o "o"...
Várias crianças: Este é o "o", o redondo (mostram O em ANIVERSÁRIO).
Professora: Algum de vocês tem o nome que comece com esta (mostra o N)?
Maximiliano: Nicolas!
Maria Elena: Natalia!
Gissela: Natalia!!!
Mauro: Do mesmo jeito que começa o da Nancy.
Nicolás: Começa com o ene, professora.
Professora: O que será que diz então?
(Alguns afirmam que diz "Natal" porque começa com a mesma letra de Natalia, outros propõem significados diferentes).
Professora: (Pede que tragam o cartaz no qual está escrito NATALIA e mostra para o grupo)
Evangelina: É igual!!!
Gissela: É mesmo, porque esta é igual a esta e esta é igual a esta (mostrando N e A em NATALIA e NATAL).
Professora: O que diz aqui? (em NATAL).
(A maioria reconhece que no primeiro cartaz está escrito "Feliz Natal" porque começa igual a Natalia, o resto afirma que está escrito "feliz aniversário").
Jorge Luis: Não, aqui (em FELIZ VIAGEM) diz "feliz aniversário".
Patrícia: Não, você não está vendo que não tem o "o"?
Andrés: Aqui, "feliz viagem" (em FELIZ VIAGEM), porque tem um "e". Olhe, via...geee...eeem (mostra o E. A opinião de Andrés é confirmada por quase todas as crianças. Reconhecem que é a mesma de Emanuel - letra E - e que diz "viagem" porque tem essa letra).
Professora: Todos estão de acordo que está escrito "feliz viagem"? (em FELIZ VIAGEM).
Todos: Sim.
Professora: Então, vamos ver se entramos em um acordo em qual desses diz "feliz aniversário", (mostra FELIZ ANIVERSÁRIO e FELIZ NATAL).
Juan: Esta é "feliz aniversário" (mostra o cartaz correspondente), porque tem o "o" (mostra a letra O).
Professora: Eu pergunto... "Feliz Natal" tem "o"?
(Várias crianças repetem em voz alta a frase, realizando diferentes tipos de separação. Finalmente, dizem que não tem "o").
Várias crianças: Não!!!
Maria Elena: "Feliz aniversário" tem. Olhe professora, "fe...liz..ani...ver..sá..río" Sim, tem "o". Aqui diz "feliz aniversário" (no cartaz de FELIZ ANIVERSÁRIO). (A maioria apóia a resposta de Maria Elena. Algumas confrontam a escrita do cartaz FELIZ ANIVERSÁRIO com a frase idêntica escrita em uma faixa, confirmando, assim, a interpretação dada).
Essa observação exemplifica a forma com que as crianças podem antecipar o significado da escrita a partir da coordenação da informação fornecida pelo adulto (sua leitura) e a informação fornecida pêlos índices qualitativos dos textos. A resolução do problema se concretiza mediante as opiniões e discussões das crianças e da intervenção da professora, que indica para favorecer a interpretação".
Nesse tipo de situação, é inevitável para as crianças considerar os aspectos quantitativos da escrita (é mais ou menos longa, tem mais ou menos letras, tem tantas partes) e os aspectos qualitativos (com qual começa, com qual termina, tem a mesma que..., tem algumas que são iguais nas três...), para coordená-los com os enunciados que conhecem que estão escritos (porque a professora informou).
Para que as crianças cheguem a ler por si mesmas necessitam elaborar hipóteses cada vez mais ajustadas sobre aquilo que estão lendo, sobre o que está escrito e como está escrito em diferentes gêneros e portadores. Ao mesmo tempo, necessitam confirmar ou rejeitar tais idéias em função dos índices que o texto e a situação fornecem.
Esses índices se tornam cada vez mais observáveis pela participação em situações nas quais alguém lê para elas ou lhes propõe tentar ler por si mesmas e nas quais a intervenção da professora colabora para que tal processo se desenvolva, para que nossas crianças se sintam poderosas e felizes porque são capazes de ler por si mesmas.
Tradução: Daisy Moraes


terça-feira, 4 de junho de 2013

BRINQUEDOS DE PAPELÃO: VAMOS CONSTRUIR?

O que o aluno poderá aprender com esta aula:

- Aprender que o papelão pode ser um recurso importante para oportunizar o brincar criativo;
- Possibilitar experimentos artísticos utilizando papelão;
- Compartilhar o espaço e as brincadeiras com outras crianças e adultos, ampliando o seu universo cultural e vivencial;
- Aprender a esperar a vez de participar, respeitar e ser respeitado, possibilitar trocas de conhecimentos; e
- Instigar a curiosidade, a memória, a percepção, a fantasia e socialização. 

Duração das atividades
Cinco momentos de aproximadamente 20 minutos cada um.















Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Brincadeira, linguagem, imitação e imaginação. 
Estratégias e recursos da aula
1º momento - Apresentando a história
            Para este primeiro momento, o professor conta a história “O trenzinho do Nicolau”, de Ruth Rocha; Editora Salamandra,2009.  Quando for apresentar a história é interessante que o professor, organize o grupo de crianças em roda, sentadas num tapete, num espaço aconchegante e tranquilo. Após contar a história, o professor deve chamar a atenção para os pontos principais da história e para as figuras do livro, instigando para que as crianças falem sobre suas impressões. O professor pode realizar algumas perguntas, como, qual era o meio de transporte usado por Nicolau para percorrer a cidade? Quais os meios de transportes temos em nossa cidade? Temos trem em nossa cidade? Como cada criança chegou à escola? Vieram caminhando, de ônibus, de carro, de bicicleta?  
capa livro
2º momento – Vamos fazer um volante para brincar de dirigir?
            Professor, propõe às crianças a construção de um brinquedo. Mostre para as crianças pedaços de papelão cortados em forma de tiras, e junte as extremidades do papelão, com fita adesiva, formando um círculo. Mostre o círculo para as crianças e pergunte: o que o objeto parece?  Que brincadeira é possível fazer utilizando este objeto?
            Após estas perguntas, o professor compara o círculo a um volante e convida as crianças para construírem em conjunto com ele mais alguns volantes.
volante
3º momento - A construção do Volante.
            Solicite ajuda das crianças para rasgar jornal em tiras, enrolar e sobrepor o jornal sobre a estrutura de papelão, dando volume e forma arredondada. Fixe o jornal com fita adesiva.
            Na etapa a seguir use a técnica da papietagem para deixar mais forte o objeto. Solicite ajuda das crianças para forrar o objeto, utilizando o jornal rasgado com grude ou cola (a receita do grude pode ser encontrada na aula “Vamos fazer uma caixa registradora e moedas para brincar de supermercado”, postada anteriormente no Portal do Professor, o link desta aula encontra-se no item recursos complementares.
             Distribua o papel rasgado anteriormente e solicite que as crianças passem grude ou cola no papel, sobrepondo as camadas. Depois, coloque para secar.
volante
4º momento - Vamos brincar de caminhão?
            Com o volante pronto, o professor poderá propor pintá-lo com tinta guache ou cola colorida. Nós optamos por deixar o volante com o jornal aparente.
            Professor, selecione várias caixas de papelão e organize uma brincadeira com o volante construído. Lembre-se de escolher caixas que sejam firmes e resistentes.  Em nosso caso, utilizamos as caixas de papelão que servem para transportar as frutas para o lanche das crianças.
            É interessante o professor brincar junto com as crianças e interagir criativamente, trazendo elementos novos e enriquecedores às brincadeiras.
             Em nosso caso, a brincadeira foi planejada e proposta junto ao grupo de crianças de dois anos de idade, da professora Josiana Piccole, no Núcleo de Desenvolvimento Infantil – UFSC. Chamamos de “brincadeira de caminhão”. A professora Josiana brincou com as crianças instigando-as a imaginarem diferentes situações. Primeiro, brincou que as crianças eram as frutas que estavam dentro do caminhão, perguntando-lhes que tipo de fruta elas eram. Depois, as crianças assumiram papel de motoristas e a professora perguntou-lhes qual fruta o caminhão delas estava levando. E as crianças respondiam: “o meu caminhão está levando mamão”; “o meu está levando melancia”. Também estavam lá o caminhão de maçã, o do bolo, entre outros. As crianças entravam e saiam do caminhão, numa divertida brincadeira.
            Professor, você pode usar sua criatividade e transformar os caminhões em diferentes propostas.
CARRINHOSCRIANÇAS BRINCANDO
5º momento – Transformando o caminhão em trem.
            Professor, relembrando a história “O trenzinho do Nicolau”, convide as crianças a brincarem de trem do Nicolau. Solicite ajuda delas para colocar as caixas enfileiradas e as instigue imitando o maquinista, apitando, fazendo o barulho do trem.  Para animar ainda mais a brincadeira, cante a canção “Eu vou andar de trem”, presente no site postado no item recursos complementares.
trem

Avaliação
Para avaliar as crianças o professor deve observar se elas participaram da construção dos volantes e das brincadeiras propostas; se interagiram umas com as outras e com a professora, ou predominou a brincadeira individual? Os recursos utilizados possibilitaram a imitação de diferentes papéis e enriqueceram as brincadeiras? 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

RECEITA JUNINA: PAÇOCA CASEIRA DE GELADEIRA


Ingredientes:

500  g de amendoim torrado sem casca
1 pacote biscoito maisena (200 g)
1 lata leite condensado
½ colher sopa margarina (para untar fôrma)


Modo de preparo:

Torrar o amendoim e tirar a casca.

Reservar um copo de requeijão de amendoim sem casca.

Bater no liquidificador, o amendoim restante, a bolacha de maisena, jogar em uma travessa e misturar o leite condensado, até dar liga.

Untar uma forma e espalhar com a mão úmida a paçoca, levar à geladeira por trinta minutos, cortar no tamanho desejado.


DITADO AO PROFESSOR: UMA SITUAÇÃO PARA PRODUZIR TEXTOS ANTES DE SABER ESCREVER (GRAFAR)

Para aprender a escrever, não basta compreender o sistema de escrita alfabético. Escrever envolve dominar o processo de produção de um texto, o que implica conhecer as diferentes possibilidades da linguagem, dependendo da intenção que se tem de comunicar algo para alguém. Envolve também, dominar algumas práticas comuns aos escritores, tais como: planejar o que vai escrever, escrever interrompendo sua escrita para reler o que já foi produzido até aquele momento, revisar seus escritos para aprimorá-los, consultar outros textos para ampliar suas ideias a respeito do que se quer comunicar, dentre outras.
Caso as atividades propostas aos alunos no início de sua escolaridade fiquem restritas àquelas que favorecem a reflexão sobre o sistema de escrita, transmite-se uma ideia empobrecida do que seja esse processo, como se a única habilidade necessária fosse a correspondência entre sons e letras.
Mas, se desde o início, os alunos forem colocados diante de situações em que tenham que produzir textos complexos, onde considerem propósitos comunicativos variados e se dirijam a leitores reais, torna-se possível, tanto a aprendizagem do que significa escrever, quanto o desenvolvimento de habilidades necessárias para lidar com textos - enfrentando os mesmos problemas próprios de escritores proficientes.
Quando os alunos ainda não dominam o funcionamento do sistema de escrita alfabético, podem produzir textos, contando com o professor escriba, que registrará aquilo que for ditado a ele. Tal produção costuma ser coletiva, ou seja, o grupo de alunos se torna autor do texto, o que significa que todos contribuem para decidir o que será escrito e como será escrito, num processo de discussão e troca de experiências em que cada um tem a oportunidade de aprender com as sugestões dos colegas.
O professor, nesse caso, limita-se a escrever o texto que foi considerado mais adequado pelas crianças, sem reorganizá-lo ou traduzi-lo para suas próprias palavras. Além disso, ele coordena a produção, propondo momentos em que o que já foi escrito seja relido, sugerindo que o texto seja revisado para acrescentar dados que foram esquecidos numa primeira escrita, para esclarecer pontos que ficaram confusos, para rever trechos que apresentem problemas, convidando o grupo a refletir sobre formas que permitam superá-los.


EXPECTATIVAS DE APRENDIZAGEM

Essa situação didática favorece avanços dos alunos relacionados ao seguinte objetivo:
* Produzir textos escritos ainda que não saibam escrever convencionalmente.
A atividade permite desenvolver as seguintes habilidades:
* usar conhecimentos sobre as características estruturais dos diferentes gêneros, ao produzir um texto, ditando-o ao professor;
* antecipar significados de um texto escrito.


CONDIÇÕES DIDÁTICAS PARA AS SITUAÇÕES DE DITADO PARA O PROFESSOR OU PRODUÇÃO ORAL COM DESTINO ESCRITO


É importante que, antes de propor aos alunos que produzam determinados textos, eles já tenham familiaridade, como leitores, desse tipo de texto. Se vão produzir bilhetes ou cartas, é importante garantir momentos em que haja contato com esse tipo de gênero. Além da experiência como leitores, é interessante propor momentos para conversarem sobre a organização/estrutura do texto que será escrito: a forma como é escrito, o tipo de informação, o conteúdo...
Para que seja uma atividade produtiva, é importante que, antes de se dedicarem à situação de produção do texto, os alunos conheçam a situação comunicativa em que ele está inserido, definindo a quem se dirige o texto e qual o objetivo que se tem ao escrevê-lo.
Saber sobre o gênero textual e suas características, sobre o destinatário a quem se dirige e os propósitos que se espera alcançar com a escrita contribui para que os alunos decidam quais informações são pertinentes e como serão expressas.


* FONTE: ORIENTAÇÃO SONDAGEM PRODUÇÃO DE TEXTO (1º - 5º ANO) - D.E CENTRO SUL / EQUIPE EFAI - SEC. EDUC. DO EST. DE SÃO PAULO

domingo, 2 de junho de 2013

DICA LITERÁRIA

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O LOBINHO BOM
SHIREEN, Nadia
BRINQUE-BOOK


Rolf é um lobinho bom. Mas será que realmente existem lobinhos bons? Ou no fundo todos os lobos são grandes e maus?

*História inteligente e engraçada, que subverte a lógica tradicional dos contos de fada.
*O lobinho bom recebeu uma menção honrosa no prêmio Bologna Ragazzi, categoria Opera Prima, e foi indicado aos prestigiosos Kate Greenway Medal e Waterstones Children’s Prize.
*Um final engraçado e surpreendente que encantará leitores de todas as idades.
*Ilustrações graciosas e vibrantes que enfatizam o humor da história.


Era uma vez um lobinho bom chamado Rolf, que é gentil com seus amigos, come todas as verduras do prato e adora assar bolos. Mas lobos de verdade não são bons – lobos de verdade são grandes e maus. Será que Rolf vai conseguir encontrar o grande lobo mau que vive dentro dele?

Leitura compartilhada: A partir de 3 anos
Leitura independente: A partir de 6 anos


DESENHAR COM ESFEROGRÁFICA, POR QUE NÃO?

Sempre à mão, a caneta esferográfica tornou-se a grande cúmplice da ilustradora laura teixeira, que compartilha neste artigo a proposta de uma oficina criativa


Comecei a desenhar com caneta esferográfica com uns dois anos de idade. Muitas vezes ia com minha família comer fora aos domingos e os únicos materiais disponíveis eram uma caneta Bic azul ou preta e um bloquinho pequeno, que apareciam na minha frente assim que nos sentávamos para esperar a comida. Fui, portanto, adquirindo muita familiaridade com as canetas. Por isso, resolvi usá-las para fazer os esboços de O jarro da memória, o primeiro livro infantil que ilustrei. O resultado agradou o pessoal da editora, e então decidimos que os desenhos finais teriam como base essa técnica. No entanto, para obter uma impressão mais viva, resolvemos usar cores especiais no livro inteiro (e não as cores primárias, como na grande maioria dos casos).

Para isso, no processo de finalização, os desenhos foram todos feitos com caneta esferográfica preta, e depois coloridos no computador. Algumas partes, porém, foram feitas com lápis grafite. Antes do lançamento de O jarro da memória, ministrei a primeira oficina sobre o tema, Meu Livro de Recordações, na Primavera do Livro, realizada em São Paulo, em 2005. Esta mesma proposta foi repetida algumas vezes, na Livraria da Vila, Livraria Cultura e na Escola Alecrim, todas na cidade São Paulo. As crianças eram convidadas a construir seu próprio caderninho de desenho, utilizando, entre outros materiais, as canetas esferográficas, claro. A seguir, apresento a proposta desta oficina.

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Proposta de oficina

Na oficina Meu Livro de Recordações, cada criança produz seu próprio livrinho de recordações, para registrar, sempre que quiser, algo interessante de sua vida. Durante a atividade tomam conhecimento das diversas etapas envolvidas no processo: concepção da capa, encadernação e refile. Inicialmente, é feita uma breve leitura do livro O jarro da memória, e há uma conversa sobre as lembranças das crianças. Cada uma recebe então canetas esferográficas, algumas folhas auto-adesi-vas estampadas (as estampas são as mesmas criadas para o livro), tesoura e uma folha de papel colorplus A4 dobrado ao meio.

A proposta é confeccionar a capa do livrinho, ilustrando uma ou mais recordações. Os miolos dos livros são previamente preparados (8 folhas de papel jornal dobradas ao meio por pessoa). A encadernação (com 2 grampos) e o refile (com estilete) é feito por adultos à medida que as crianças vão terminando as capas.

(Laura Teixeira, é ilustradora e designer)

Quem é a artista

Laura Teixeira é ilustradora e designer. Nasceu em São Paulo em 1976, estudou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e especializou-se em ilustração em Barcelona na EINA – Escola de Design e Arte. É mestranda na FAU-USP, na área de Design. Tem colaborado com diversas revistas, entre elas Pesquisa Fapesp, Foco Economia e Negócios e TAMKids. Em 2005, ilustrou seu primeiro livro infantil, usando canetas esferográficas, O jarro da memória, com texto de Claudio Galperin.

O Jarro da Memória

Num texto delicado e poético, que se integra às ilustrações como um elemento gráfico, o escritor Claudio Galperin busca um fio para unir infância, maturidade e velhice: a memória, que reordena os acontecimentos marcantes da vida e lhes dá sentido. Ainda pequena, a personagem Laurinha inventa um “guardador de lembranças”: um jarro de barro onde as memórias se acumulam na forma de pedrinhas. Assim ela pode recordar os acontecimentos especiais da sua vida, como o nascimento de uma figueira, a morte da avó ou mesmo um ataque de riso sem motivo. Escritor e roteirista de cinema e televisão, em O jarro da memória Galperin retoma o tema da nostalgia, também abordado na novela para adultos O avesso dos dias (Beca, 1999).

Laura Teixeira, por sua vez, estréia na ilustração de livros infantis com um trabalho artesanal, feito com canetas esferográficas comuns, além de tinta branca e grafite. Nas palavras do escritor Rodrigo Lacerda, que assina a quarta capa, “os sentimentos, é claro, não podem ser investigados com os olhos, e nem examinados com a mão. Mas, assim como a menina lhes dá a forma de pedras, Claudio Galperin e Laura Teixeira também botam no papel, com letras e desenhos, esses mistérios que nascem no coração da gente”.